Boi vivo para exportação

24/08/2009

Boi vivo para exportação

 

 

Uma novidade que em outros estados – como Pará e Rio Grande do Sul e São Paulo –, é notícia velha, chega ao mercado de carne bovina e criação de gado na Bahia: a exportação de gado em pé.

Essa modalidade de comércio agita, sobretudo, criadores do extremo sul do Estado, onde está concentrado maior rebanho de gado bovino, com 1,8 milhão de cabeças.

A ideia começou a ser discutida porque, segundo criadores da região, o mercado de carne bovina na Bahia está desregulado e não há frigoríficos suficientes para atender a toda a demanda de abate da região. E do jeito que as movimentações vêm ocorrendo, os primeiros navios carregados de bois devem sair em dezembro.

O local desejado para embarcar o gado é o porto de Caravelas (847 km de Salvador), onde uma equipe de técnicos da empresa Wellard, já no mercado de exportação de gado vivo há mais de cinco anos, fará uma visita, prevista para ainda este mês. O objetivo será avalizar as condições de atracamento de navios.

O canal do porto, segundo explicou o secretário de Planejamento de Caravelas, João Paulo Nascimento, possui 50 metros de largura, seis quilômetros de comprimento e cinco metros de profundidade. “Com alguns ajustes, temos condições de receber navios com calado (parte da embarcação submersa) mínimo de até cinco metros”.

UNIÃO – Nascimento contou que buscará unir forças com autoridades públicas e empresariais do Estado para que possa viabilizar o atracamento de navios com calado de nove metros.

Para isso, terá de ser feito um investimento de cerca de R$ 10 milhões.

“Já estamos mantendo contato com várias pessoas”, declarou o secretário.

O primeiro contato com os criadores foi feito recentemente, quando o gerente geral para o Brasil da Wellard, Daniel Pagotto, palestrou para um público de cerca de 200 pessoas, num hotel em Teixeira de Freitas, onde ocorria, no início do mês, o 1º Fórum Setorial Regional da Bovinocultura de Corte.

Pagotto empolgou ainda mais os criadores ao informar que o mercado de exportação de gado em pé só tem a crescer no Brasil e que a Bahia é um campo não explorado e com uma possibilidade de ganhar grandes fatias do bolo da exportação do gado em pé, já que é zona livre da aftosa desde 2001 e possui 11,5 milhões de cabeças de gado.

O gerente da Wellard declarou que o Brasil tem exportado mais de 400 mil animais vivos por ano.

Atualmente, os países que mais compram são Venezuela, Líbano, Angola e Egito. “A Bahia já era para estar nesse mercado há muitos anos, pois tem um rebanho de alta qualidade e que precisa ter mais visibilidade”, disse Pagotto.

MOTIVOS – Os motivos dos países citados importarem boi vivo são diversos. Enquanto a Venezuela o faz para manter os empregos dos frigoríficos, já que lá quase não se tem mais gado, Angola importa para aumentar a população desse animal, já que o país saiu a pouco tempo de uma guerra civil que dizimou também animais. Egito e Líbano têm rituais próprios de abate. Estados Unidos e países da Europa também importam o gado vivo, mas as barreiras sanitárias deles são mais rigorosas.

Presidente do Sindicato Rural de Itamaraju, onde há mais de 160 mil cabeças de gado, Urbano Correia afirma que o pedido de autorização para exportação de animais vivos foi encaminhado.

“Queremos que o governo brasileiro e baiano se sensibilize com a nossa causa e possa agilizar o máximo possível as questões da documentação e também na estrutura”.