Quebra do ciclo preocupa a direção da Abac

24/08/2009

Quebra do ciclo preocupa a direção da Abac

 

 


A exportação de boi vivo é vista como uma alternativa de exportação, mas, segundo o diretor de marketing da Associação Baiana dos Criadores (Abac), Almir Mendes, em entrevista recente em A TARDE, ela pode prejudicar a cadeia produtiva como um todo no Estado. Isso porque – argumentou – o ciclo entre produção e o consumidor final é quebrado pela exportação do boi ainda vivo.

“Exportar o boi em pé se transforma em um mecanismo de regular o mercado em função do preço e da oferta de animais. O extremo sul da Bahia, por exemplo, é uma região que tem se organizado bastante na produção de novilhos de qualidade”, disse, em matéria publicada no último dia 18 em A TARDE.

E qualidade no gado é o que não faltará, a depender do geneticista e veterinário Armando Leal do Norte, um dos maiores do Brasil e criador, em Medeiros Neto (893 km de Salvador), no extremo sul baiano, de cerca de 10 mil cabeças de gado das raças red-norte e red tap, que, devido ao melhoramento genético, possuem uma carne mais macia e com pouca gordura.

“É uma pena que melhor qualidade ainda não resulte em melhor preço”, comenta o veterinário, que espera poder comercializar mais seu gado. O extremo sul da Bahia é onde se concentra o maior rebanho bovino do Estado, com 1,8 milhão de cabeças de gado, segundo a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), sendo que desse total 60% são de gado de corte (destinado ao abate para o consumo de carne), 20% gado de leite (para produção leiteira) e o restante é mista (corte e leite). A maior parte do rebanho é composta pelas raças nelori, guzerá, tabapuan, gir e o holandês.

Segundo Armando Leal do Norte, há na região cerca de 12 mil cabeças de gado das raças red tap e red norte (mistura das raças tabapuan, nelori, red angus, santa gertrudes e senepol).

Os animais da raça red tap e red norte possuem uma cor avermelhada e os touros são bastante fortes, com músculos divididos. Atualmente, estas raças estão sendo usadas somente como gado de corte e está tendo boa aceitação do mercado pelo fato de a carne do gado destas raças ser macia.

1,8 milhão é o número de cabeças de gado bovino concentradas no extremo sul da Bahia, maior rebanho do Estado.

Produtores querem entrar no ainda inexplorado mercado de exportação

R$ 10 milhões é o investimento previsto para dotar o porto de Caravelas de infraestrutura adequada que permita embarcar o gado baiano destinado para exportação.

847 quilômetros é a distância de Caravelas para Salvador. O porto da cidade será inspecionado por uma equipe de técnicos da empresa Wellard, que avaliará as condições de atracação.

11,5 milhões é o número total de cabeças de gado existente na Bahia. Mercado de exportação de gado em pé tende a crescer e a Bahia ainda é um campo não explorado.

2001 foi o ano em que a Bahia foi atestada como zona livre da aftosa. Brasil tem exportado 400 mil animais vivos por ano para a Venezuela, Líbano, Angola e Egito.