Brindes à beira do Velho Chico
Desde que a Cinzano abriu o caminho em meados dos anos 70, um bocado de fabricantes de vinhos e espumantes voltou suas parreiras para o Vale do São Francisco. Hoje, além da Fazenda Ouro Verde, há seis vinícolas instaladas na região: Vitivinícola do Vale do São Francisco, fabricante do rótulo Botticelli; Adega Bianchetti Tedesco, do Bianchetti; Vitivinícola Lagoa Grande, responsável pelas marcas Carrancas e Garziera; Adega Vale do Sol, dos vinhos Cave do Sol; e Chateau Ducos, além da Vinibrasil, produtora da marca mais conhecida da região, a Rio Sol.
À exceção da Ducos, empreendimento de um grupo italiano comandado por um enólogo francês, e da Vinibrasil, criada por uma parceria entre produtores portugueses e a distribuidora Expand, todas as vinícolas são capitaneadas por gaúchos. E ficam, sem exceção, na margem pernambucana do Velho Chico.
A maioria está de portas abertas aos visitantes, embora não tenham estruturas planejadas especificamente para a recepção de turistas.
Questionado sobre a possibilidade de criação de um programa conjunto de visitas às vinícolas, Evandro Pelegrini, gerente da Ouro Verde, explica que o principal impedimento são as distâncias: “Há trechos de até 100 km entre uma fazenda e outra”, diz.
TRADIÇÃO – Em sua Petrolina Juazeiro, popularizada na voz de Alceu Valença, Jorge de Altinho diz que gosta de Juazeiro e adora Petrolina.
Frente à questão da qual não tem jeito de escapar – qual você gosta mais –, melhor se sair com uma resposta na mesma linha. É o jeito de não despertar os ciúmes dos habitantes de um ou do outro lado das margens.
Divididas apenas pelo São Francisco, que deixa Juazeiro em território baiano e Petrolina, no pernambucano, as cidades são tão próximas quanto diferentes. Com um centro de ruas estreitas e construções antiguinhas, a primeira é um furdunço só. Shows de artistas famosos do cenário nacional são anunciados em cartazes por todos os lados, mas são os barezinhos da orla que fazem a festa do dia-a-dia, com seus axés e forrós no último volume que viajam pelo curso d’água tirando o sono de quem está na outra margem.
Na tranquila Petrolina, movimento à beira do Velho Chico só do pessoal fazendo suas corridas e caminhadas.
Ao contrário da vizinha, a pernambucana tem uma orla dominada por prédios altos e modernos. Adentrando, as diferenças continuam: as avenidas são largas e as construções, em sua maioria, recentes. Fica lá também o aeroporto. Petrolina é realmente mais nova que Juazeiro, mas nem tanto assim: foi fundada em 1870, enquanto a outra teve início em 1806.