Greenpeace pede "desmatamento zero" na Amazônia até 2015
Ativistas da organização não governamental Greenpeace promoveram uma manifestação no último dia 29 no Parque Ibirapuera, próximo à Assembleia Legislativa de São Paulo, marcada por um apitaço para chamar a atenção do público sobre a 15ª Reunião da Convenção do Clima, que será realizada de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca.
Eles instalaram um relógio em um das entradas do parque – como parte da campanha Tic Tac Tic Tac – que vai fazer a contagem regressiva dos 100 dias que faltam para o encontro. Também recolherem assinaturas em favor de medidas propostas pelo Greenpeace ao governo brasileiro.
"Queremos que o governo brasileiro zere o desmatamento até 2015 na Amazônia e que gere mais energia renovável", disse João Palocchi, coordenador de uma das campanhas da ONG no Brasil.
Segundo ele, a expectativa é que o país se coloque de forma mais ambiciosa no cenário externo, defendendo redução de pelo menos 40% das emissões dos gases que causam o aquecimento global.
"Queremos que haja contribuição financeira para que países em desenvolvimento possam crescer sem cometer os mesmos erros que os Estados Unidos e a Europa cometeram, de emitir muitos gases de efeito estufa queimando muito carvão e petróleo."
APOIO À CONVENÇÃO DO CLIMA
As manifestações do Greenpeace realizadas no dia 29 ocorreram simultaneamente em oito capitais brasileiras, para alertar a população sobre a necessidade de preservação do meio ambiente, da adoção de políticas públicas voltadas para a defesa da natureza e a consequente preservação da vida das futuras gerações, com o fim dos desmatamentos e com a produção de energia de fontes renováveis.
Eles estão colhendo assinaturas para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe da 15ª Reunião da Convenção do Clima, de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague, na Dinamarca, em vez de mandar representante.
"Essa é uma reunião histórica, em que vão ser definidas as medidas que cada país deverá adotar para ajudar no combate às mudanças do clima", explicou o coordenador do grupo em Brasília, Bernhar Rocha Coimbra.
Segundo ele, o papel do Brasil nessa negociação é fundamental, uma vez que o país é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa, causador do aquecimento global.
O Greenpeace defende que para mudar essa situação o Brasil precisa zerar o desmatamento na Amazônia, usar mais energias renováveis como a solar e a eólica e proteger os oceanos.
"Cabe ao governo tomar essas medidas, mas também cabe a nós, cidadãos brasileiros, cobrar do governo uma postura responsável com as gerações futuras", argumentam os ambientalistas.
O Greenpeace alerta que a sociedade não pode assumir um papel passivo e apenas acompanhar de longe as negociações sobre o clima. Segundo integrantes do grupo, o que está em jogo "é o nosso futuro e o das próximas gerações. Cada um de nós tem o dever de fazer alguma coisa, como adotar pequenas mudanças como deixar o carro em casa de vez em quando, economizar energia, reciclar, entre outras atitudes".
Os voluntários do Greenpeace também levaram para o Parque da Cidade, em Brasília (DF), painéis de tecido branco onde as pessoas interessadas podem fazer desenhos e escrever mensagens em defesa do meio ambiente.
A proposta é que essas faixas, juntamente com outras que estão sendo feitas nas demais capitais, sejam estendidas na frente do Congresso Nacional, em dezembro próximo, por ocasião da realização da conferência sobre mudança climática.
APITAÇO NO RIO
Ambientalistas e ativistas ligados à organização não governamental Greenpeace realizaram no fim da tarde do último dia 29, na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro (RJ), uma manifestação para marcar os 100 dias até o início da 15ª Reunião da Convenção do Clima. Durante o encontro, será discutido um novo tratado internacional para substituir o Protocolo de Quioto, que estabelece limites às emissões de gases de efeito estufa e expira em 2012.
De acordo com o coordenador do grupo local do Greenpeace no Rio, Pedro Torres, durante a mobilização os manifestantes marcharram munidos de apitos, panelas e tambores, promovendo "um grande toque de despertar". Segundo ele, a contagem regressiva, que também está sendo iniciada em mais sete capitais brasileiras, tem o objetivo de mobilizar a sociedade e pressionar as autoridades brasileiras para assumir uma posição de liderança nessa questão.
"A reunião de Copenhague é histórica. Lá serão definidas as medidas que cada país vai adotar no combate às mudanças climáticas. O Brasil precisa ter um papel de vanguarda, de liderança nesse processo porque é o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, principalmente por causa dos desmatamentos na Amazônia, que contribuem para o aquecimento global."
Os ativistas também recolheram assinaturas nos locais de manifestação para um documento que será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é pedir que o país adote metas consideradas fundamentais para conter o aquecimento global como zerar o desmatamento da Amazônia até 2015 e apoiar a criação de um fundo financeiro internacional para dar suporte a essa redução; garantir que pelo menos 25% da eletricidade produzida no país sejam gerados a partir de fontes renováveis de energia como vento, sol, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas até 2020 e apoiar a transferência de tecnologia entre países; e transformar pelo menos 30% do território costeiro marinho do Brasil em áreas protegidas até 2020.
"Está em cima da hora, mas ainda dá tempo de assumir essas metas. Temos que nos apressar porque talvez seja o último momento possível para que isso aconteça, por isso é preciso que a população esteja mobilizada e que nossas autoridades estejam prontas para representar o país no encontro de Copenhague", avaliou o coordenador.
CONTAGEM REGRESSIVA
A 100 dias da reunião da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, um grupo de organizações não governamentais instalou no último dia 29, em cinco capitais brasileiras, relógios que farão a contagem regressiva até o encontro, que vai definir um mecanismo para complementar o Protocolo de Quioto.
A campanha, apelidada de Tic Tac Tic Tac, é parte de uma iniciativa global da sociedade civil para pressionar governos nas negociação da ONU, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca).
Além de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre e Salvador, que receberam os relógios gigantes, houve mobilização em Brasília, Belo Horizonte e Recife.
O encontro da ONU em Copenhague vai reunir representantes de 192 países para definir o futuro regime global de emissões de gases de efeito estufa, que entrará em vigor após 2012, quando vence o primeiro período de compromisso do Protocolo de Quioto. A definição de novas metas de redução de emissões para os países desenvolvidos e de compromissos mais claros para países em desenvolvimento como o Brasil, a China e a Índia – que já são grandes emissores – está no centro dos impasses.
Fonte:
Agência Brasil
Marli Moreira, Iolando Lourenço, Thais Leitão E Luana Lourenço - Repórter
Juliana Andrade e Fernando Fraga - Edição