Déficit global sustenta forte valorização do açúcar
Os preços futuros do açúcar fecharam com forte alta na sexta-feira, nas bolsas internacionais, ainda sustentados por notícias de produção menor da Índia, segundo maior produtor global, e clima chuvoso afetando o ritmo da colheita de cana no Centro-Sul do Brasil. Em Nova York, os contratos para janeiro encerraram, na sexta-feira, a 24,20 centavos de dólar por libra-peso, aumento de 86 pontos. Em Londres, os contratos para dezembro fecharam a US$ 601 a tonelada, elevação de US$ 17,50.
Neste ano, os preços do açúcar acumulam valorização de 97% em Nova York e já alcançam o maior valor dos últimos 28 anos.
"Não há vendedor no mercado. As usinas brasileiras estão fixadas e boa parte não se beneficiou destas recentes altas", afirmou Rodrigo Costa, da Newedge, corretora com sede em Nova York. A Índia deverá elevar suas importações para 4 milhões de toneladas. "Isso também tem sustentado as cotações", disse.
Analistas de mercado mantêm o discurso de que os preços futuros do açúcar podem ultrapassar os 30 centavos de dólar por libra-peso nos próximos meses. A demanda global pelo produto deverá superar a produção em 9,35 milhões de toneladas, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA), informou a Bloomberg. Para a próxima safra, o déficit poderá atingir 5 milhões de toneladas.
No Brasil, as chuvas sobre os canaviais em agosto foram as mais intensas das últimas seis décadas, de acordo com informações do empresário do setor Maurílio Biagi Filho, à Bloomberg. Por conta das chuvas, a produção de açúcar e álcool deverá ser menor no país.