Falta de oportunidade estimula a migração
Falta de acesso à terra, pouca oportunidade de trabalho e a seca estão entre as causas da migração que provoca o esvaziamento temporário de cidades inteiras do Nordeste.
Raimundo Nonato, no sertão do Piauí, ou Timbiras, no Maranhão, ficam sem a maioria de seus homens jovens durante o período de safra no centro-sul, que este ano começou em março. Esta é uma das conclusões do estudo que está sendo realizado por quatro universidades federais (Maranhão, Piauí, São Carlos e Rio) em cidades de origem e de destino desses trabalhadores.
O resultado será transformado em livro e videodocumentário até o fim do ano, informa o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro José Roberto Novais.
Pesquisa em Timbiras mostrou que 63% das 114 famílias entrevistadas tinham algum membro trabalhando fora do município, a maioria na agroindústria da cana de açúcar.
O novo retirante é quase sempre homem (84%), jovem (20 a 29 anos), de boa saúde e acostumado ao trabalho com enxada e sob o calor do Nordeste. Ele passou a ser disputado pelas empresas e por arregimentadores, os “gatos”.
Vez por outra, caem em redes de mobilização de trabalho escravo, revela estudo do professor Marcelo Sampaio Carneiro, da Universidade Federal de São Carlos.
A mobilização é feita pelo contato boca a boca e por anúncios em rádios locais, diz Edilásio Manhães Tavares, coordenador da mão-de-obra agrícola da Usina Santa Cruz, de Campos. Entre os dias 17 e 25 de abril, Tavares selecionou 196 pessoas de Santo Amaro da Purificação, Terra Nova, São Sebastião do Passe e Nazaré de Jacuípe, na Bahia, e saiu de lá com cinco ônibus lotados de tra balhadores.