Sebrae-BA: Palma pode alimentar rebanho durante a seca

10/09/2009

Sebrae-BA: Palma pode alimentar rebanho durante a seca

 

 

A Oficina do Empreendedor e o Geraleite estão entre os projetos mais importantes executados pelo Sebrae, segundo o presidente do Conselho Deliberativo do órgão na Bahia, João Martins da Silva Júnior, que esteve no último final de semana em Guanambi na II Feira das Cidades para a implantação do programa Palma a Palmo que ensina o homem do campo a produzir alimentos para seus rebanhos.

Sobre o programa, executado em parceria entre Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Senar-BA e Sebrae-BA, João Martins disse que a Bahia tem 12 milhões de cabeças de gado e só não tem 20 milhões porque nos períodos de seca os produtores não fazem estratégias de alimentação. Isso provoca o efeito sanfona: engorda nas chuvas e emagrece na seca.

O programa mostra, como esclareceu, que é possível montar estratégias de alimentos com plantas resistentes como a palma, podendo produzir até 400 toneladas ou mais por hectare, e 60 a 65 toneladas de matéria seca (farelo) para os rebanhos. "Se os governos tivessem visto isso a mais tempo, não teríamos 12 milhões, mas 20 milhões de cabeças".

Em entrevista, João Martins, que também é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia, falou ainda da Lei Geral, da pecuária de leite e corte e das mudanças e ampliação dos serviços do Sebrae a partir do próximo ano. Na ocasião, destacou a importância da integração na realização de programas entre a Faeb/Senar e o Sebrae.

Sobre a integração Faeb/Senar e Sebrae, o presidente disse que está começando a engrenar muito bem e explicou que a Bahia conta com quase cinco milhões de pessoas na zona rural (a maior população do Brasil). Essa união de forças, na sua concepção, está surtindo efeitos porque o Estado concentra sua economia no agronegócio. "Não temos muitas opções nas cidades do interior, a não ser o agronegócio".

Assinalou que, se o Sebrae tem como essência trabalhar com a micro e a pequena empresa, "nossa proposta é dar suporte a essa categoria para que o indivíduo passe a ser um empresário. Aí entra o trabalho Faeb/Senar/Sebrae", enfatizou. Citou, em seguida, que a Federação da Agricultura tem estrutura para oferecer capacitação no processo produtivo, e que o Sebrae complementa o trabalho com o processo de gestão. "Se juntarmos forças, esse empresário, com certeza, vai ser bem sucedido".

PROJETOS IMPORTANTES

Dentre os projetos desenvolvidos pelo Sebrae-BA, o presidente do Conselho Deliberativo destaca como mais importantes a Oficina do Empreendedor e o Programa Geraleite. O primeiro, na sua análise, é uma grande ferramenta do Sebrae, que tem técnicos com capacidade de descobrir potencialidades dos municípios, podendo ajudar o pequeno empresário.

Quanto ao Geraleite, em tom de desabafo, João Martins declarou que não se concebe que a Bahia tenha o terceiro maior rebanho bovino do país e importe um terço do leite consumido. "É que nossos produtores não são profissionais. Nossa ação é justamente mostrar a eles que é possível produzir leite no semi-árido, com competitividade".

Para chegar a essa posição, recomenda ensinamentos nas áreas de produção e gestão da propriedade, como se fosse uma empresa. Por se tratar de uma atividade de alto risco, o negócio deve ser visto com carinho, como se fosse uma casa. Na área da pecuária de corte, explicou que temos modernização, mas não exportamos porque não se tem uniformidade de produção. Os projetos Geraleite e de Corte estão no terceiro ano . O primeiro já atua em 40 propriedades e o de Leite em 300, conforme informou.

O presidente falou também sobre a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e reconheceu que a Bahia está atrasada no processo. No entanto, prometeu que será feito um mutirão para que em 2010 se consiga a adesão de 200 prefeituras.

Por fim, sem entrar muito em detalhes, o presidente comentou sobre mudanças que devem ocorrer na estrutura do Sebrae. Informou que a Fundação Dom Cabral (FDC), a partir de análises, deve apresentar uma proposta nova de mudança na estrutura organizacional do órgão para ser aprovada até final de outubro. "Queremos um Sebrae mais eficiente e com presença mais forte nas comunidades". Adiantou que deverá ser ampliado o número de coordenações regionais e os pontos de atendimento no Estado.


Fonte:
Agência Sebrae de Notícias na Bahia
Jeremias Macário - Jornalista