PIB cresce 1,9% e tira o Brasil da recessão

14/09/2009

PIB cresce 1,9% e tira o Brasil da recessão

 


A recessão é página virada na economia brasileira. A expansão forte de 1,9% no segundo trimestre frente ao início do ano, divulgada ontem pelo IBGE, afastou o temor de que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo País) recue neste ano, na opinião da maioria dos analistas que acompanham o desempenho da atividade econômica.

Onúmero veio no topo das projeçõesdo mercado,queesperava alta entre 1,6% e 2,1%.

Mas, mesmo com o avanço apósdois trimestresseguidos de retrocesso, o PIB ainda ficou 1,2% menor que no mesmo período de 2008. Assim, no primeiro semestre houve queda de 1,5%, a maior da série do IBGE, iniciada em 1996.

O mercado interno foi o responsável pela retomada da economia, o que pôde ser constatado com a alta de 2,1% no consumodas famílias(que respondeporcerca de60%do PIB) frente ao primeiro trimestre e de 3,2% contra 2008.

Nessa comparação, o consumo cresce a quase seis anos seguidos.

“Nãomudou opadrão de crescimento da economia brasileira. Claramente o consumo das famílias vem sustentando a expansão desde 2001. A massa salarial e o crédito continuam crescendo e a redução do IPI veio como medida adicional”, disse Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE.

Já o investimento, apesar da estabilidade frente ao início do ano, a queda de 17% contra abril a junho de 2008 foi recorde, a maior da série histórica, que começouem1996.

Além da produção nacional demáquinas eequipamentos ter ficado 17% menor, as importações também caíram o que afetou diretamente esse indicador da economia.

A construção civil, outra parcela considerável do investimento (cerca de 40%), caiu 9,5% frente a 2008. Segundo Mario Bernardini, diretor da Associação Brasileira da Indústria Máquinas e Equipamentos (Abimaq), os investimentos recuaram para níveis de 2006. Se a taxa de investimento permanecer nesse patamar (em 15,7% do PIB), o País vai crescer “mediocremente” nos próximos anos: “No anoque vem,vamos crescer, até porque a base será fraca.

Mas, se o investimento não subir, o país não cresce mais de 3% ao ano”.

Com a crise levando à redução das importações, o setor externo apareceu com sinal positivo no PIB. A contribuição foi de 0,7 ponto percentual.

Sem essa ajuda, o PIB frente ao segundo trimestre do ano passado teria caído 1,9% e não 1,2%. “Desde o início de 2005, não vemos o setor externo ajudando a subir o PIB. Mas essa situação deve mudar. Com a melhora do mercado interno, a importação tende a aumentar”, afirmou o economista Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

E este papel mais relevante do mercado doméstico ficou clara no comportamento dos serviços. Do lado da oferta da economia, foi o setor que manteve o crescimento mesmo durante a recessão. A alta foi de 1,2% frente ao início do anoe de 2,4% contraomesmo trimestre de 2008. Puxada pelo crédito, a intermediação financeira, com alta de 8,2%, voltou a exibir taxas de crescimento próximas de antes da crise. “ O setor de serviços não teve caráter recessivo. A recessão foi curta e concentrada na indústria”, afirmou Alexandre Maia, economistachefe da GAP Asset.

Com a expansão forte de 1,9%, que representa crescimento anualizado de 7,8%, o patamar da produção do PIB voltou aos níveis de 2008. No primeiro trimestre, aindaem recessão, o país produziu o mesmo que o segundo trimestre de 2007. “O avanço foi rápido e estamos apenas 2,1% abaixo do pico da expansão brasileira, que foi no terceiro trimestre de 2008,umpouco antes de a crise financeira desembarcar no Brasil”, disse.

Além do investimento, o destaque negativo do PIB ficou com a agricultura, que registrou retraçãode 0,1%sobre o primeiro trimestre e queda de 4,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O principal motivo desta queda foi, segundo especialistas do setor, a redução dos preços internacionais dos alimentos, da importação de produtos como carnes e aves e de uma queda de 6% da safra deste ano.

5ª maior alta O Brasil registrou o quinto maior avanço entre as 20 principais economias do planeta no segundo trimestre (período em que quase metade do PIB global voltou a crescer).

Apesar de expressivo, o crescimento ficou abaixo dos registrados por Indonésia e Coreia doSul que,assim como o Brasil, tiveram forte queda no quarto trimestre de 2008 – quando a crise se disseminou do mundo rico para os emergentes – mas não entraram em recessão.

SAIBA MAIS

O que é PIB? É a sigla para Produto Interno Bruto. É o conjunto de todos os bens e serviços que são produzidos num país durante um determinado período, contando inclusive a arrecadação de impostos sobre a produção Como é possível medir? Não se mede o estoque de riquezas, mas o valor que foi produzido. Um exemplo: se um apartamento está alugado, o valor desse aluguel entra no cálculo do PIB; mas, se está vazio, não há contribuição para a conta O que é recessão técnica? É um conceito utilizado mundialmente. Diz-se que um país está em recessão técnica quando apresenta dois trimestres seguidos de recuo do PIB.