Mudança climática gera prejuízo de R$ 500 mi
As mudanças climáticas causaram, em 2009, prejuízo de R$ 500 milhões para os agricultores do oeste baiano, em especial para os produtores de algodão e soja. A adoção de políticas públicas e de práticas do setor produtivo para prevenir o aquecimento global e os impactos das mudanças climáticas na Bahia foram discutidos ontem pela manhã naFederação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) entre produtores e Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
“Estamos ouvindo diversos setores para adotar uma lei específica sobre mudanças do clima na Bahia”, destacou o secretário de Meio Ambiente, Juliano Mattos.
De acordocom osecretário, a lei, que deve ser apresentada à Assembleia Legislativa da Bahia até o final do ano, prevê estratégias de manejo dos recursos naturais a fim de evitar impacto sobre o clima nas diferentesregiões daBahia.“Esta é uma discussão que não deve terminar com a aprovação desta lei, deve ser permanentee estádiretamenterelacionada ao desenvolvimento tecnológico de todos os setores”, frisou Mattos.
Uma das principais preocupações do governo é em relação ao processo de desertificação do semiárido. Segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente, em 30 anos, aproximadamente 25 municípios baianos podem entrar em situação de risco climático.
“Quando falamos de questões ambientais, este prazo é muito curto”, diz o secretário.
Desmatamento No setor agropecuário, as principais preocupações estão relacionadas ao manejo da água e ao desmatamento, este considerado a principal causa do aquecimento global no Brasil. “O meio ambiente é um dos fatores que estão inseridos na cadeia produtiva do agronegócio, mas precisamos delimitar o que são alterações cíclicas de clima e o que é fruto do aquecimento global”, destaca o vice-presidente da Faeb, Guilherme Moura.
Moura destaca que a Federação teve, ontem, o primeiro contato com o projeto de lei.
“Começamos a discutir as propostas hoje (ontem). Vamos fazer uma análise técnica antes de encaminharmos nossas propostas à Secretaria de Meio Ambiente”, disse. Independentemente do projeto, porém, Guilherme Moura defende a adoção de políticas públicas com contrapartidas para quem presta serviço am biental.
Ele cita como exemplo a cidade de Nova Iorque que recompensa proprietários de terras que possuem nascentes no seu entorno. “A depender de como o projeto é desenvolvido, o poder público consegue economizar em recursos que gastarianotratamento de água ou na fiscalização ambiental”, disse.
“A adoção de boas práticas ambientais na agricultura precisa passarpor umprocesso de orientação de agricultores”, afirma João Lopes Araújo, diretor regional da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) e presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia.