Produtor baiano se estrutura para começar a exportar mel

14/09/2009

Produtor baiano se estrutura para começar a exportar mel

 

 

Apesar de ser sétimo maior produtor de mel do País, a Bahiaainda nãoestá inserida diretamente no mercado internacional. As exportações só acontecem de forma indireta. Agora, produtores, Estado e governo federalse unempara adequar a estrutura local e fazer a Bahia começar a exportar. Os primeiros registros começaram a ser concedidos e, até o final deste ano, o produto baiano começa a ganhar o mundo.

A região Nordeste é o grande produtor do país, com cerca de 15 mil toneladas de mel ao ano, segundo dados da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Mel. Neste cenário, a Bahia registra uma produçãoanualestimada em2,5mil toneladas, número considerado ínfimo se for contabilizada a produção que não está nos registros oficiais.

Grande parte do mel produzido aqui é vendido diretamente pelo produtor para empresas de beneficiamento instaladas nos Estados do Piauí eCeará, estadosque despontam nacionalmente como os grandes exportadores do produto. É a chamada “exportação indireta“.

Para inserir a Bahia no mercado internacional e ampliar a sua participação no mercado interno, a Secretaria de Agricultura doEstado estádesenvolvendo umPlano deDesenvolvimento parao Estado.

A primeira etapa ficará pronta em novembro e deve ser apresentada durante o Congresso Nordestino de Apicultura e Meliponicultura, a ser realizado em Salvador no próximo mês de novembro.

M apeamento O Plano de Desenvolvimento já cadastrou 10 mil apicultores na Bahia e ainda deve mapear mais duas regiões produtoras até o final do ano. O principal posto de exportação do produto baiano será a Central de Cooperativas dos Produtores de Mel (Cecoapi), instalada em Ribeira do Pombal.

Esta central receberá a produção das diversas cooperativas do Estado e fará a intermediação com o mercado internacional.

“Hoje, a Cecoapi tem condições de inverter o processo e passar a receber o mel produzido por estados como Sergipe eAlagoas”, informao chefe do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura na Bahia, Antonio Carlos da Matta.

O entreposto em Ribeira do Pombal já recebeu as máquinas de beneficiamento e está em processo de adequação às exigências do Ministério da Agricultura.

Exportação Matta também destaca o entreposto em Barra do Choça como um dos primeiros da Bahia a ter condições de exportar.“ Hoje, na Bahia, existe uma nova mentalidade para exportação, existem pelo menos vinte empresas no Estado preparadas e que possuem condições de exportar“, disse.

Dentre elas, destacam-se: Rei do Mel, em Remanso, recentemente autorizada pelo SIF e os apiários Apis Jordans e Sertanejo nos municípios de Barra do Choça e Tucano. Hoje, a Bahia possui 22 casas de mel certificadas e 29 em implantação, todas em processo de qualificação para atender às exigências do Ministério da Agricultura.

 

Fortalecimento de cooperativas está entre as estratégias

 

Entre as estratégias de inserção dos apicultores baianos no mercado internacional está o fortalecimento das associações e cooperativas, a capacitação de apicultores e o aumento da produtividade. O coordenador estadual de projetos do Sebrae na Bahia, Marcos Dantas, conta que a estratégia de exportação do estado está projetada para os próximos cinco anos. De acordo com ele, o primeiro desafio é regularizar o processamento do mel para que a produção baiana ganhe em escala, por isso a concentração do beneficiamento na unidade da Cecoapi, em Ribeira do Pombal.

“Nossa previsão é vender de 600 a 800 toneladas de mel ao ano através da Cecoapi“, prevê.

A Câmara Setorial do Mel calcula que o Brasil produz cerca de 50 mil toneladas de do produto ao ano, deste percentual, 40% é para exportação. O presidente da Câmara, José Gomercindo Correa, diz que o mel brasileiro é competitivo porque atende a todas as normas internacionais de segurança alimentar.

Mercados

Os principais mercados são os Estados Unidos e Canadá e União Europeia, um dos mercadosmais exigentes,masconhecido como o que paga melhor pelo produto, especialmente para o mel orgânico. A China, que já foi o maior exportado de mel do mundo, também passou a importar o produto brasileiro para a composição de blandings.

Apesar da competitividade brasileira no mercado internacional, há quem prefira apostar no mercado interno. Este é o caso do apicultor Ideval Martins, de FeiradeSantana. “Já exportei de forma indireta e hoje prefiro apostar no mercado interno“, disse. “O mercado interno é menos burocrático, menos exigente e com um bom trabalho de divulgação conseguimos escoar o produto com um preço muito melhor”, afirma Martins. De acordocomele, o preço pode ser até dez vezes maior que o quilo vendido como commoditie.