Consumo é relacionado à boa saúde
Benefícios da soja impulsionam mercado para alimentação humana
Graças ao apelo de alimento saudável e benéfico à saúde, a soja tem despertado o interesse das indústrias de processamento do grão visando à alimentação humana. No entanto, o volume de soja usado para consumo humano é pequeno e difícil de ser medido, principalmente porque há muitas pequenas empresas atuando no setor, segundo a pesquisadora Mercedes Carrão Panizzi, da Área de Genética e Melhoramento da Embrapa Soja. "É possível que alcance cerca de 1,6 milhão de toneladas anuais, ou 3% da produção total de soja", calcula. "Em 2000, era menos de 1%."
O que muita gente desconhece é que a soja está presente em inúmeros alimentos industrializados. "Serve para dar liga e textura à salsicha, por exemplo. A lecitina é bastante utilizada para fazer chocolate, assim como a própria farinha de soja", diz. "Cerca de 30% da soja esmagada vira óleo, quase todo comestível, e 70% são transformados em componentes para ração animal, ou em alimentos para uso humano indireto." De acordo com Mercedes, a indústria de leite de soja cresce 30% ao ano, segundo dados do Blue Soya Books.
"Há 20 anos, as pessoas odiavam a soja e não queriam nem ouvir falar da leguminosa para consumo humano", conta Mercedes. "Os benefícios da soja à saúde humana eram desconhecidos e não havia tecnologia de processamento. Resumindo, a soja era uma cultura para alimentar animal." A partir dos anos 90, com o respaldo científico, começou o interesse pela oleaginosa. "O apelo de saúde e a tecnologia melhorada impulsionaram a leguminosa no Ocidente", diz, e acrescenta que o primeiro mercado a descobrir a oleaginosa foi o de produtos naturais. Hoje há uma variedade de produtos à base de soja, desde sucos, creme de leite, leite condensado, iogurtes, farinhas, bolachas e biscoitos de soja.
SEM A ENZIMA
Há cerca de dez anos, a Embrapa Soja começou a pesquisar variedades apropriadas para a alimentação humana, sem a enzima que confere o sabor desagradável ao grão, como a BRS 213 e a BRS 257, recomendadas para o Paraná até sul de Mato Grosso do Sul. "Como a enzima foi retirada geneticamente da planta, os grãos podem ser deixados de molho e não precisam de tratamento térmico", explica.
Para o cultivo orgânico, a Embrapa desenvolveu a BRS 258, que substitui a BR 36, e lançou a BRS 267, em fase de multiplicação de sementes, que estará à disposição do mercado em 2007. "Possui sementes graúdas, hilo claro e sabor adocicado, para cozimento, preparo de salada, leite e tofu."