Argentina alivia restrição a embarque (Valor Econômico)

06/07/2006

Argentina alivia restrição a embarque

Paulo Braga
 

O governo argentino aliviou ontem as restrições às exportações de carne bovina, liberando as vendas de cortes que não são consumidos no mercado interno. Graças à queda do preço observada nos últimos meses, as autoridades permitirão a partir de hoje as exportações de cortes traseiros de animais de mais de 460 quilos e de carne de animais velhos, usada em sua maioria para produção de carne enlatada, que não é consumida no mercado doméstico.

 

A flexibilização traz alívio para o setor, já que havia receio de que o governo mantivesse as exportações fechadas durante o inverno, quando a produção de carne cai. Mas, mesmo com a diminuição das restrições, o cenário segue incerto.

Uma fonte de um grande frigorífico disse ao Valor que os investimentos de sua empresa estão paralisados desde março, quando o governo decidiu aplicar a medida. Segundo a fonte, a situação permanecerá assim até que o panorama de médio e longo prazo seja mais estável. A medida anunciada ontem prevê a liberação das exportações por apenas 60 dias, prorrogáveis por mais 30.

As exportações de carne foram suspensas na tentativa de conter a escalada dos preços do produto no mercado doméstico. O auto-embargo já havia sido flexibilizado anteriormente, com uma autorização para que os frigoríficos embarcassem 40% do volume por eles vendidos ao exterior entre junho e dezembro do ano passado.

Apesar desse alento, produtores e frigoríficos ameaçaram recentemente entrar em greve caso o governo não ampliasse a reabertura, sob o argumento de que, após a proibição de março, os preços internos da carne registraram queda de cerca de 30%, e a rentabilidade do negócio estava comprometida.

Com a decisão de ontem, estão liberadas, sem limite de volume, as exportações de "rump cuts", cortes formados por alcatra, contrafilé e filé mignon, conforme anúncio da ministra de Economia, Felisa Miceli. Segundo ela, os pecuaristas terão permissão para renovar as exportações para países que mantêm acordos bilaterais com a Argentina.

Por conta das travas às exportações, o abate de gado no país desceu, em abril, ao menor patamar mensal desde 1990, segundo levantamento da Câmara Argentina e Indústria e Comércio de Carne. Foram abatidas 841.653 cabeças no mês, 21% menos que em março deste ano e 30% abaixo de abril de 2005.

No ano passado, a Argentina ficou em terceiro no ranking dos principais exportadores de carne bovina, com vendas de US$ 1,4 bilhão. O Brasil liderou a lista.