Embrapa aprova projeto para criação da Rede de Agricultura de Precisão II

23/09/2009

Embrapa aprova projeto para criação da Rede de Agricultura de Precisão II

 


O gerenciamento dos sistemas de produção baseado no conjunto de sinais de satélite e softwares para a interpretação de dados geoprocessados acaba de ganhar um suporte fundamental para o desenvolvimento e ampliação das pesquisas. O Comitê Gestor de Programação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aprovou projeto orçado em quase R$ 7 milhões para a criação da Rede de Agricultura de Precisão II, cujo projeto é liderado pelo pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária, de São Carlos (SP), Ricardo Yassushi Inamasu. A Rede tem 214 membros de unidades da Empresa, além de parceiros de universidades, institutos de pesquisa e empresas.

A proposta da Rede é trabalhar para definir o manejo adequado da variabilidade espacial e temporal de produção de várias culturas; viabilizar o uso de sensores para intervenção no sistema de produção no decurso do ciclo das culturas; estabelecer um sistema de gerenciamento econômico e ambiental para o manejo localizado do conhecimento em agricultura de precisão e ampliar a transferência de tecnologias em agricultura de precisão. De acordo com o líder do projeto, a agricultura atual deve enfrentar o desafio de aumentar a produção em resposta à demanda da crescente população.

"Para isso, tecnologias ligadas ao sensoriamento remoto, a sistemas de informações geográficas (SIGs) e ao sistema de posicionamento por satélite (GPS) vêm propiciando o desenvolvimento da Agricultura de Precisão (AP), que permite o manejo específico das práticas agrícolas, maior eficiência de aplicação de insumos, diminuição dos custos de produção e redução dos impactos sobre o ambiente", avalia Inamasu.

Os recursos aprovados, segundo Inamasu vão contribuir para aumentar o sinergismo entre vários grupos no país e realizar ações transversais em culturas como milho, soja, algodão, sorgo, trigo, arroz, eucalipto, laranja, pêssego, viticultura, pastagem e cana-de-açúcar. São quinze áreas experimentais envolvendo estados do nordeste, centro-oeste, sudeste e sul.

Os investimentos esperados focam ferramentas de uso em comum como VANT - Veículo Aéreo não Tripulado para fotografias aéreas, equipamentos para medida de condutividade elétrica do solo para cada região, montagem de uma unidade onde serão instaladas ferramentas de Tecnologia de Informação (TI), empregadas na Agricultura de Precisão para auxílio na análise, entre outros. Esse investimento deverá capacitar a Embrapa e seus parceiros e ajudar a pôr o país na vanguarda em produção agrícola sustentável.

AGRICULTURA DE PRECISÃO

A United States Farm Bill define a agricultura de Precisão como um sistema de produção agropecuário baseado na integração da informação com a produção, visando aumentar a longo prazo, a eficiência da produção numa área da propriedade ou no todo. Aumentar o lucro, com simultânea minimização dos impactos indesejáveis no meio ambiente e na vida selvagem. Ou seja, é uma tecnologia que utiliza em conjunto sinais de satélite e softwares para interpretação de dados geoprocessados, isto é, recolhe e reuni informações da área cultivada, sempre com a localização precisa.

Os fundamentos modernos da Agricultura de Precisão, segundo a literatura, surgiram em 1929, nos Estados Unidos da América, mas o ressurgimento e disseminação da técnica, na forma em que é conhecida hoje, ocorreu somente na década de 80, quando microcomputadores, sensores e sistemas de rastreamento terrestres ou via satélite foram disponibilizados e possibilitaram a difusão dos conceitos.

A Agricultura de Precisão tem se destacado principalmente nos Estados Unidos da América, mas muitos relatos têm sido divulgados sobre o desenvolvimento da tecnologia, tanto em pesquisa como na aplicação prática, em países como Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil e Inglaterra.

No Brasil, as primeiras ações de pesquisa na área foram realizadas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) em 1997, onde um trabalho pioneiro com a cultura de milho resultou no primeiro mapa de variabilidade de colheita do Brasil, de acordo com o professor Luiz Antonio Balastreire.

Também foram disponibilizadas, por várias empresas tradicionais do setor de máquinas e implementos agrícolas, ferramentas como monitores de colheita, amostradores de solo e equipamentos para a aplicação de insumos em taxa variada, que foram divulgadas e disponibilizadas ao produtor.

Houve também crescimento nas iniciativas de pesquisa/extensão em Agricultura, com envolvimento de intituições como Esalq, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Embrapa, Fundação ABC, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), além de numerosas empresas privadas do setor agrícola e tecnológico e de cooperativas de produtores, bem como de produtores de forma isolada. São, também, cada vez mais numerosos os relatos e a divulgação de iniciativas na área, envolvendo várias culturas em diferentes estados brasileiros.


Fonte:
Embrapa Instrumentação Agropecuária
Joana Silva - Jornalista
Telefone: (16) 2107-2901