Produtor de cacau perde oportunidade de elevar ganhos

29/09/2009

Produtor de cacau perde oportunidade de elevar ganhos

 

 


A desvalorização do dólar, aliada à falta de estrutura e apoio à produção de cacau estão tirando dos produtores baianos a oportunidade de aproveitar a ótima cotação do produto no mercado externo.

Enquanto atonelada decacau aumentou 8,1% do início do mês para cá, chegando aos US$3.073 (cerca de R$ 5,4 mil), o produtor, que já chegou a vender a saca do produto por R$ 98 em dezembro do ano passado, quando a moeda norte-americana estava em alta, está passando o produto por R$ 86.

Aalta na cotação do cacau é percebida pelos produtores como um alento diante da brusca desvalorização do dólar.

“Imagine se a gente fosse enfrentar essa quedadodólar com o cacau desvalorizado no exterior”, pondera o presidente da Associação dos Produtores de Cacau (APC), Henrique Almeida. Mas a sensação, reconhece, é de estar deixando de aproveitar um cenário externo muito favorável.

“O problema é que falta produtividade”, explica o Almeida.

A Bahia, responsável por 89% de todo o cacau produzido no País,de acordo com o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem um índice de produtividade inferior ao do restante do Brasil.

Enquanto a produção média baiana é de 259 quilos do produto por hectare, o Brasil consegue chegar a 320. Em Estados como Rondônia e Minas Gerais, o rendimento médio por hectare é maior que o dobro da Bahia.

“A falta de investimentos, que não é uma coisa deste ou daquele governo, gerou um passivo muito grande”, lamenta Almeida. Atualmente, explica, a produção baiana é tãopequenaque setornouinsuficiente até para atender o mercado interno. “O Brasil hoje importacacau. Mudarisso é uma questão que passa por uma decisão política”, analisa. No próximo dia 6 de outubro está prevista mais uma decisão da Câmara SetorialdoCacau, onde, acreditao presidente da APC, pode-se chegar a um acordo sobre a renegociação das dívidas do setor com o governo.

Tendência O estudo Cacau: Informações de Mercado, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) aponta para uma tendência de queda nos estoques mundiais de cacau.

Isso estaria acontecendo pois porque o consumo da matéria prima para o chocolate estaria maior que a produção mundial. Os estoques teriam caído de 1,55 milhão de toneladas para 1,471 milhão.

No mesmo período, a produção teria apresentado uma queda de 7,1%, acentuando a tendência de menos produto em disponibilidade.

Isso, pela conhecida lei da oferta e procura, explicaria a alta no preço do cacau nos últimos anos. Há dois anos, de acordo com as cotações publicadas pela Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), o produto estava sendo vendido na Bolsa de Nova Iorque por US$ 2036, mais de US$ 1 mil a menos que a cotação atual.

De acordo com a análise da Ceplac, a Costa do Marfim, de onde sai 40% do cacau consumido no mundo, teve problemas climáticos que comprometeram o desempenho do país. Mas o cenário político no país, que anda conturbado, também devecontribuir para uma menor produtividade.

Especulação O consultor especialista em cacau, Thomas Hartmann, avalia com parcimônia o cenário depreços doproduto no mercado internacional. Segundo ele, existem argumentosparaaalta do preço,masjá estaria se verificando também um movimento especulativo, que explicaria o volume da alta. “A situação física não justifica preços neste patamar atual”, pondera. Para ele, nas próximas semanas, o preço do produto deve iniciar um movimento de queda, até se situar na faixa de preços entre US$ 2,5 mil e US$ 2,8 mil.