Distribuição de terras no País é a mesma há 20 anos

01/10/2009

Distribuição de terras no País é a mesma há 20 anos

 


A desigualdade na distribuição de terras no País permaneceu inalterada nos últimos 20 anos. Enquanto as unidades ruraiscom até10 hectares ocupam menos de 2,7% da área total dessas unidades, a fatia ocupada pelas propriedades com mais de mil hectares concentram mais de 43% da área total. Esta realidade é a mesma indicada nos censos agropecuários de 1985, 1995-1996 e 2006, esteúltimo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O levantamento traça um perfil da atividade no País, desenvolvida em 5,2 milhões de unidades rurais, incluindo entre outros dados aqueles sobre produtores, estrutura fundiária, técnicas usadas e pessoal ocupado.

Quando se observados dados regionais, há significativas diferenças. A Região Sul, por exemplo, apresenta a menor desigualdade na distribuição das terras entre os diferentes extratos de área, especialmente nos municípios colonizados por italianos e alemãessituados nonoroeste do Rio Grande do Sul, na região vinícola da Serra Gaúcha, e aqueles que se localizam na região da agroindústria de aves e suínos, no oeste catarinense esudoeste paranaense.

De acordocom olevantamento, isso se explica pela “estrutura fundiária consolidada pela presença da produção colonial do migrante europeu”.

Oeste baiano Na outra ponta, fica a Região Nordeste, com elevados níveis de concentração de terras na porção leste do Maranhão e em grande parte do Piauí.O processo de ocupação do território desde o período colonial, marcado pela economia escravista e grandes propriedades pastoris do sertão, ajuda a explicar o panorama, segundo o estudo.

Além disso, o Centro-Oeste também vem apresentando desigualdade na distribuição de terras motivada, de acordo com os técnicos do IBGE, pela expansão da soja, que também ocorre nas regiões de cerrado do oeste baiano. O cultivo desse produto exige emprego de tecnologia e articulação com o comércio mundial de commodities agrícolas, o que impõe uma escala de grande produção para garantir a inserção no mercado.

Asoja foiacultura quemais se expandiu no Brasil em dez anos. No período entre 1995 e 2006, a soja apresentou um aumento de 88,8% na produção, alcançando 40,7 milhões de toneladas em 15,6 milhões de hectares, com uma alta de 69,3% na área colhida. Em termos absolutos, houve alta de 6,4 milhões de hectares.

A cultura da soja, principal produto agrícolana pautadas exportações brasileiras, é cultivada em 215.977 estabelecimentos, gerando R$ 17,1 bilhões para a economia brasileira.

OMato Grossoé omaior produtor nacional, com 10,7 milhões de toneladas, o que representou 26,2% da produção brasileira em 2006.

Agricultura familiar O censo do IBGE revela também que a agricultura familiar tem forte peso na cesta básica dos brasileiros. Dos 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários do País, 4,4 milhões, ou 84% do total, eram desse tipo.

Para o secretário-executivo e ministro interino do Desenvolvimento Agrário, Daniel Maia,é motivodecomemoração.

“Há um conjunto de ações que garantem segurança e estabilidade para o produtor, como o Pronaf (Plano Safra da Agricultura Familiar) e a Previdência Rural, antes os produtores migravam para a cidadeeagora podemficarno campo”, afirmou.