Marisqueiras capacitadas para cultivo de algas na Baía de Todos os Santos

13/10/2009

Marisqueiras capacitadas para cultivo de algas na Baía de Todos os Santos

 

Marisqueiras do entorno da Baía de Todos os Santos começaram a receber treinamento para o cultivo de algas em cativeiro. Ao todo, 64 mulheres das localidades de Manguinhos e Misericórdia, na Ilha de Itaparica, e do município de Saubara estão cadastradas no projeto, que terá duração de um ano e envolve não só as técnicas de cultivo, mas também de manejo, produção e comercialização.

Por meio da Secretaria Estadual da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), a Bahia Pesca vem executando o projeto Maricultura de Manejo de Algas como fonte de renda para comunidades da Baía de Todos os Santos, para o cultivo em escala comercial da gracilaria, tipo de alga comum no litoral brasileiro e no litoral baiano.

Balsas de cultivo - O primeiro treinamento começou a ser dado para 24 mulheres de Manguinhos, que fazem a capacitação em uma balsa de cultivo já instalada no mar. Outras 20 marisqueiras de Saubara e 20 de Misericórdia também devem começar a receber o treinamento ainda este mês.

Nos primeiros três meses da capacitação, elas já poderão iniciar o cultivo a partir das mudas que serão colocadas nas balsas.

Cada uma das três localidades selecionadas pela Bahia Pesca terá cinco balsas de cultivo. A primeira balsa já foi colocada em Manguinhos e deve receber as mudas de algas ainda este mês.

As mudas são nativas da própria Baía de Todos os Santos. Em cada uma das balsas poderão ser empregadas, no mínimo, três famílias com capacidade para produzir, ao fim de três meses, até 600 quilos de algas secas.

Bancos naturais - O diretor-técnico da Bahia Pesca, Marcos Rocha, explicou que cada ciclo de cultivo dura, em média, três meses. Nesse período, a expectativa é que os primeiros cultivos estejam gerando resultados que permitam análises mais profundas para serem implantados em escala comercial.

Para a implantação dos projetos na Baía de Todos os Santos, os técnicos da Bahia Pesca tomaram como parâmetro os resultados de experiências bem-sucedidas com a alga gracilaria no Ceará e no Rio Grande do Norte, além de Ilha Bela, no Rio de Janeiro.

Na Baía de Todos os Santos, eles analisaram os bancos naturais de algas, profundidade e salinidade, observando que a região oferece condições propícias para a implantação do projeto.

Múltiplos usos - Em todo o mundo são produzidos anualmente sete milhões de toneladas de algas para fins alimentícios e outras 300 mil toneladas para uso diverso pela indústria química.

Os maiores produtores são a China, as duas Coréias, Japão, Filipinas e Indonésia. Na América do Sul, o maior produtor é o Chile. O Brasil desponta como grande exportador de algas, mas tem ainda baixa industrialização do produto.

Além dos fins alimentícios e indústria química, o cultivo de algas pode ser aproveitado como biocombustível na produção do etanol, na indústria de cosméticos, na produção de sabonetes e cremes, na bebida, associadas a sucos de frutas e na indústria farmacêutica.