Manejo sem fogo garante riqueza do solo para atividades agropecuárias na Chapada

20/10/2009

Manejo sem fogo garante riqueza do solo para atividades agropecuárias na Chapada


Agricultura pré-histórica: prática de queimadas para manejo do solo ainda perdura na Chapada Diamantina, pondo em risco as reservas florestais e fauna de toda a região

Esta época do ano é o período em que, tradicionalmente, muitos produtores rurais costumam fazer uso do fogo para manejo do solo, pela facilidade em que se dá essa prática e, muitas vezes, impulsionados pela crença de estarem preparando adequadamente a terra para o plantio.

Na Chapada Diamantina, uma das regiões mais afetadas por incêndios florestais, no ano passado, a prática de queimadas ainda perdura, pondo em risco as diversas reservas florestais localizadas nas áreas de proteção ambiental da região.

Atualmente, essa prática é condenada por especialistas como o técnico agrícola Júlio Castro, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). "É um mito achar que a queimada é a melhor solução, porque, quando o mato morre, acaba-se também com os nutrientes do solo."

Júlio, que faz um trabalho de conscientização e educação agrícola, no município de Palmeiras, na Chapada Diamantina, diz que a proposta é ensinar aos agricultores a preparar a terra sem o uso do fogo.

"Para isso, existem muitas técnicas que melhoram a estrutura do solo, deixando-o mais produtivo, como a adubação verde, a cobertura morta, a compostagem e a adubação orgânica."

Um exemplo de boas práticas, realizadas pela unidade da EBDA de Palmeiras, é o trabalho que vem sendo desenvolvido no distrito de Matão. A iniciativa vai beneficiar, inicialmente, 16 famílias que adotaram as novas técnicas agrícolas, fornecendo suporte técnico e sementes para o plantio.

"Essa é uma característica dessa gestão, também voltada para a agricultura familiar", explica o técnico, orientando o agricultor interessado a procurar a unidade regional da EBDA, em seu município, para requisitar assistência.

Família Agrícola – Do outro lado da Chapada Diamantina, no município de Andaraí, crianças em idade escolar aprendem, na prática, qual das técnicas é mais produtiva, na Escola Família Agrícola, informa o diretor da unidade, Gilênio Rodrigues.

"Fizemos duas técnicas de manejo, queimando e sem queimar o mato, para comparar os resultados. Constatamos que a área queimada leva o dobro do tempo para se recuperar, enquanto que a área preparada organicamente, além da recuperação rápida, aumenta a produtividade em 100%", relata Gilênio, que é responsável pela educação agrícola de 55 alunos do 1o grau.

Segundo ele, "é difícil convencer ao agricultor a abandonar essa prática antiga, do uso do fogo, mas os próprios alunos já estão convencendo suas famílias de que não façam queimadas, mostrando os resultados.

São visíveis os resultados de dois anos de trabalho, na Escola Família Agrícola de Andaraí, nas plantações exuberantes que são desenvolvidas pelos alunos e professores, nas dependências da escola."

Revezamento – A EFA funciona em regime de alternância – uma turma passa 15 dias na colônia, enquanto que a outra fica em casa, aplicando o que aprendeu nas roças das famílias. Ao final desses 15 dias, as turmas se revezam, dando continuidade ao trabalho, que vai da teoria até a colheita da produção.

"A produção serve para alimentação dos alunos, que a consomem aqui mesmo, na escola, e ainda levam para casa", explica o professor Antônio Carlos de Oliveira, mostrando os legumes e verduras cultivados na EFA.

Ele diz que é feito o preparo do solo com compostos orgânicos, como esterco de curral curtido e restos de culturas. "Depois do plantio, a gente faz uma adubação com o próprio mato que foi roçado e depositado ao lado, por um tempo, transformando-se numa matéria orgânica que acelera o ciclo vegetativo das plantas."

Para não dar praga, são utilizados defensivos naturais, a exemplo de mel de fumo, urina da vaca e infusão de uma planta chamada "ninho".

Área queimada leva o dobro do tempo para se recuperar, enquanto a área preparada organicamente, além da recuperação rápida, aumenta a produtividade em 100%

Disque Meio Ambiente 08000 71 1400

11o Grupamento de Bombeiros Militares (193)