Produtores de uva recebem apoio para certificar frutas e vender para o exterior
Os oito produtores de uva da Rede Associativa CAJ 1 (Cooperativa de Agricultores de Juazeiro) estão recebendo auditores em suas fazendas. É o primeiro trabalho depois que o Programa de Fortalecimento da Atividade Empresarial (Progredir) liberou os primeiros recursos para colocar em prática o plano de negócios apresentado pelos empresários de fruticultura.
O plano de negócios contempla ações de compartilhamento de informações, contratação de consultorias e auditorias para certificação de frutas, como exige o mercado internacional. Ano passado, a CAJ exportou 6 mil toneladas de uvas para os Estados Unidos e países europeus.
"Mas o produtor que não tem uva certificada, infelizmente não vende para o exterior", lamenta o presidente da cooperativa, Yoshio Uzumaki. A maioria tem duas ou três certificações. O ideal seria que todos tivessem as mesmas certificações porque garantiriam um maior volume para exportação.
As certificações equivalem a um visto no passaporte para entrada da fruta no mercado internacional, como explica o representante de certificadora, Daniel Velloso. "Você tem um passaporte, mas cada país exige um visto. É o que acontece com a uva que esses produtores exportam. Eles precisam de, pelo menos, quatro certificações para garantir um bom mercado de vendas lá fora", diz Velloso.
A fazenda consegue uma certificação quando a atividade agrícola está em conformidade com as normas técnicas, com a legislação e protocolos comerciais internacionais. "A saúde do trabalhador, higiene, boas práticas de processamento, diminuição do uso de agrotóxicos, projetos de responsabilidade social e ambiental são algumas das observações que fazemos para certificar uma propriedade", completa Daniel Velloso.
Para ajudar no nivelamento da comercialização da Rede Associativa da CAJ e dar maiores condições de competitividade aos empresários, a ação conta com a parceria do Sebrae, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e Instituto Euvaldo Lodi.
"Nesse primeiro momento, foram liberados cento e cinco mil reais que serão usados nas auditorias para certificação em 2009 e 2010 e, ainda este ano, os produtores vão receber as consultorias para adequação às exigências de mercado" comemora o coordenador local de Fruticultura da Secti, Carlos Cointeiro.
Os produtores que já têm certificações vão receber apoio para renová-las. "A gente quer manter o padrão exigido no exterior, porque, do contrário, a uva quando chega lá, se não estiver de acordo, pode ser incinerada. E a gente fica sem poder exportar por, pelo menos, seis meses, contando apenas com o mercado interno que paga menos pela fruta. É um prejuízo grande", avalia o gerente da fazenda Okubo, Jefferson dos Reis, enquanto confere um lote de uvas sem sementes que será enviado para a Inglaterra.
Para o Sebrae, "fazer parte desse processo de conquista do mercado internacional é uma prioridade. Sem a ajuda de entidades parceiras, os pequenos produtores dificilmente conseguiriam grandes resultados como esse", afirma o gestor de Fruticultura, Rinaldo Moraes. Segundo dados do Ibraf (Instituto Brasileiro de Frutas), ano passado o Brasil exportou 82 mil 242 toneladas de uva. O Vale do São Francisco foi responsável por 99% do total comercializado.
Fonte:
Agência Sebrae de Notícias na Bahia
Juliana Souza - Jornalista