Mais mercado para a noz macadâmia (Valor Econômico)

10/07/2006

Mais mercado para a noz macadâmia


 

Considerada a "rainha das nozes" por seus produtores, a macadâmia está no centro de uma união de esforços em diversos países para elevar seu consumo. O objetivo é ampliar a participação do produto no mercado de nozes em geral, que no mundo movimenta US$ 15 bilhões por ano.


No segmento (que inclui avelã, amêndoas, pistache e castanha-do-pará, entre outras nozes), a participação da macadânia é estimada em 3%. E, no nicho, a fatia do Brasil é de também 3%, segundo José Eduardo Mendes de Camargo, presidente da Associação Brasileira de Noz Macadâmia (ABM) - fundada a partir da estrutura da Associação dos Produtores de Macadâmia do Estado de São Paulo (Apromesp), que concentra cerca de 40% da safra nacional.

Segundo Camargo, o III Simpósio Internacional de Noz Macadâmia em Águas de São Pedro (SP), no fim de agosto, já é parte da estratégia de promoção, e os esforços também envolvem universidades, institutos de pesquisa, associações rurais e Sebrae. "O Brasil precisa retomar as pesquisas na área", prega. Ele lembra que em 1935 o Instituto Agronômico de Campinas iniciou pesquisas com a noz, há muito interrompidas.

A ABM aposta no desenvolvimento de variedades mais produtivas para elevar a rentabilidade dos produtores. A oferta nacional vem crescendo até 15% por safra, e em 2005/06 alcançou 750 toneladas. Ainda que esse volume represente só 3% da produção mundial, no número de árvores plantadas a participação do país, com 1,2 milhão, já chega a 10%.

Mais produtividade, contudo, será bem-vinda. O "índice de recuperação" (quantidade de amêndoa e relação à noz) brasileiro gira em torno de 25%, ante 33% na Austrália, líder global desse mercado com exportações anuais de US$ 100 milhões.

Camargo crê que a renda proporcionada pela noz macadâmia é sua maior aliada. Ele calcula que a receita média por hectare chega a US$ 3 mil, ante custos de US$ 1 mil. O investimento inicial para abertura de área para o produto chega a US$ 1,2 mil por hectare, e são necessários de US$ 300 a US$ 400 por ano para a manutenção até a fase comercial, que demora de quatro a cinco anos.

Conforme o presidente da ABM, muitos dos 165 produtores cadastrados no país investem também em café, e ambos podem perfeitamente dividir o mesmo campo. Como o consumo brasileiro é restrito e concentrado no inverno e no Natal, 90% da produção é exportada. E, nesse contexto, o câmbio atual preocupa a entidade. Há três grandes indústrias beneficiadoras da noz instaladas no Brasil, além de outras seis companhias menores. (Fernando Lopes)