Produção de ostras volta a crescer em SC (Valor Econômico)

10/07/2006

Produção de ostras volta a crescer em SC


 

A produção de ostras em Santa Catarina deve voltar a atingir neste ano o patamar de 2.500 toneladas, o maior volume já alcançado pelo Estado. A expectativa é de que o principal pólo produtor do molusco do país retome o crescimento depois de um 2005 difícil, quando a produção diminuiu pela primeira vez em 10 anos, para cerca de 1.900 toneladas.

O período de colocação de sementes que darão origem às ostras da safra 2006/07 termina nos próximos dias, e a demanda forte dos produtores indica que a produção deve crescer. Além disso, a previsão de um inverno típico em Santa Catarina, com temperaturas mais baixas, também deve favorecer a produção de ostras. Em 2005, durante o inverno, as temperaturas chegaram a até 28 graus no Estado, prejudicando o desenvolvimento das ostras, segundo o coordenador do projeto Moluscos da Epagri, Francisco de Oliveira.

No laboratório de moluscos marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) até agora foram vendidas 37 milhões de sementes. Segundo o gerente, Cláudio Blacher, a expectativa é de que as vendas cheguem a 40 milhões de sementes, 10% mais que em 2005.

O maior interesse por sementes se deve à alta dos preços da ostra por conta da queda na produção no ano passado. No mercado catarinense, a dúzia do produto sai por R$ 5 contra R$ 3 a R$ 4 em 2005.

O preço é considerado baixo pelos produtores, que tiveram um custo de produção estimado entre R$ 2 e R$ 2,50 por dúzia. Tomando como base o preço ao produtor atualmente, o mercado do molusco movimenta pelo menos R$ 8 milhões/ano, segundo a Epagri.

As ostras de Santa Catarina são do tipo Crassostrea gigas, originárias do Pacífico, e são cultivadas a partir das sementes do laboratório da UFSC. Diferentemente de mexilhões, cujas sementes ainda são encontradas em bancos naturais, as ostras não-nativas são reproduzidas em laboratório pela dificuldade de reprodução no litoral brasileiro. Do laboratório, elas saem com tamanho entre 1 mm e 3 mm para que se desenvolvam no mar. O produtor as coloca em estruturas chamadas lanternas (artefato parecido com gaiolas) acopladas a cabos em linha que as sustentam, como é possível ver em locais de grande produção como os bairros de Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha em Florianópolis.

Segundo os pesquisadores, nem todas as sementes sobrevivem. No ano passado, o calor da água na época do inverno foi o principal fator de mortandade e a estimativa é de que apenas 40% da produção tenha se desenvolvido. Em alguns casos, produtores tiveram perdas de até 80%. Para este ano, a expectativa é de que pelo menos 50% das sementes se desenvolvam.

A ostras levam de sete a 10 meses para ficarem "prontas", e a safra 2006/2007 começará a ser "colhida" na próxima primavera.

O clima previsto para este ano é favorável à produção, segundo previsões meteorológicas do Ciram-Epagri. Espera-se temperaturas mais baixas para a água do mar neste inverno do que em 2005. A previsão para a região litorânea da Grande Florianópolis, que responde por 90,5% da produção do Estado, é de temperaturas próximas à média histórica, variando neste terceiro trimestre do ano entre 16º e 18º graus.

Produtores como Emílio Gottschalk, presidente da Cooperilha, com sede no Ribeirão da Ilha, apostam em boa safra. A Cooperilha não tem dados exatos da sua produção porque os pequenos maricultores vendem seus produtos individualmente e geralmente não anotam o volume de vendas. Mas há expectativa de crescimento para 2006/07 porque a Cooperilha está finalizando nos próximos meses uma área de beneficiamento de ostras, o que permitirá o avanço da produção. A Cooperilha busca obter o selo do Serviço de Inspeção Federal para vender a produção dos seus 36 associados para fora de Santa Catarina, um mercado de maior demanda e com preços pelo menos 100% mais altos.

No Estado, onde há 130 produtores de ostras, a Secretaria de Aqüicultura e Pesca e o Sebrae acabam de assinar convênio para certificação do molusco com recursos, ainda a serem liberados, de R$ 300 mil.