I Congresso Nordestino de Apicultura deverá reunir 1,5 mil pessoas
Foto: Aurelino Xavier
Integrar os diversos projetos e programas estaduais de desenvolvimento da apicultura na região Nordeste do país, associando recursos e competências voltadas para a estruturação e consolidação da cadeia produtiva. Com esse objetivo, começa amanhã (4), no Bahia Othon Palace Hotel, em Ondina, o I Congresso Nordestino de Apicultura e Meliponicultura, que acontece em paralelo à Feira da Cadeia Apícola. O evento, que tem o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria da Agricultura (Seagri) segue até sexta (6) e reunirá 1,5 mil congressistas, entre apicultores, empresários, estudantes, profissionais da área, pesquisadores e interessados vindos dos nove estados nordestinos. Mobilizados em oito caravanas, que percorreram os principais pólos produtores da Bahia, mais de 300 criadores de abelhas do estado deverão participar.
Além de unificar políticas públicas desenvolvidas pelos diversos agentes, o congresso vai ser palco de grandes discussões, no que se refere à tributação e implantação de entrepostos de exportação ainda inexistentes na Bahia. Na programação estão previstas a realização de conferências, palestras, oficinas, painéis temáticos, feira da cadeia apícola, exposição de painéis técnicos, concursos, tendo como norteador a preservação ambiental, organização social, gestão e mercado. Na oportunidade também será lançada a Agência Regional de Apicultura.
Vale ressaltar que a apicultura é uma atividade em franco desenvolvimento no Nordeste e já gera mais de 3,5 mil empregos sustentáveis na região. Segundo o IBGE, a produção nordestina de mel cresceu 305% de 2001 a 2007, passando de 3,7 milhões para 11,59 milhões de toneladas.
Com esse resultado hoje, o mel produzido nos estados nordestinos, com destaque para o Piauí, Ceará e Bahia, corresponde a 33,4% da produção nacional que, no mesmo período, teve uma expansão média de 56%, atingindo um total de 34,74 milhões de toneladas. Na Bahia, já foram cadastrados pela Secretaria da Agricultura 10 mil apicultores e 38 estabelecimentos com inspeção. O trabalho diagnosticou uma produção anual de 2,2 mil toneladas e a geração de 600 empregos diretos nas indústrias.
O secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz, lembra que o segmento apícola baiano caracteriza-se como uma cadeia produtiva genuína da agricultura familiar e que vem promovendo a inserção de jovens e mulheres na atividade. “A atividade, que tem um forte apelo da juventude rural, barra o processo migratório no estado e tem servido como importante alternativa para a geração de emprego e renda no campo”, declarou. Através do Programa Estadual de Fortalecimento da Apicultura, a Seagri tem promovido o desenvolvimento integrado e sustentável da cadeia produtiva em seus diferentes segmentos, com foco na modernização do seu padrão tecnológico, gerencial e organizativo, estabelecendo uma nova relação com o mercado e alcançando um crescimento significativo na Bahia.
Ainda segundo Muniz. A apicultura é uma das 20 atividades que está incluída de forma prioritária no Plano Estratégico que está sendo desenvolvido pela Secretaria da Agricultura. “Com o trabalho, vai ser possível desenvolver a cadeia como um todo, concentrando os esforços nos principais gargalos, como a assistência técnica, crédito e infra-estrutura, a partir da implantação de casas de beneficiamento”, concluiu. A meta do órgão é ampliar a produtividade, passando de 32 para 50 caixas por apicultor.
Capacitação
Para atingir essa meta e garantir a qualidade da produção, a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) tem realizado constantemente cursos de capacitação voltados aos agricultores familiares, apicultores, bombeiros, polícia ambiental, técnicos e agentes comunitários apícolas para atuarem no território baiano, orientando e prestando assistência técnica aos apicultores familiares de comunidades, associações e demais grupos representativos, que desenvolvam ou que tenham interesse na atividade.
De acordo com o Presidente da EBDA, Emerson Leal, a empresa não tem medido esforços para fortalecer a apicultura e meliponicultura baiana. “Por ser uma cadeia produtiva formada, quase que na sua totalidade por agricultores familiares, a EBDA tem um comprometimento ainda maior com o desenvolvimento, disponibilizando conhecimentos, através de capacitações e tecnologias específicas para esta atividade”, disse o presidente. O trabalho faz parte de um programa intensivo de profissionalização que a empresa está realizando nos Centros de Formação de Agricultores Familiares.
O treinamento intensivo sobre a cadeia produtiva da apicultura prepara técnicos da empresa e de outras entidades para desenvolverem suas atividades, devidamente qualificados e, assim, contribuírem para que os agricultores familiares obtenham mais uma alternativa de renda, com sustentabilidade.
Mercado
Para o presidente da Federação Baiana de Apicultores e Meliponicultores (Febamel), Pedro Constan, o I Congresso Nordestino de Apicultura será de extrema valia para mostrar a necessidade da organização dos produtores. “Se os apicultores não se organizarem em associações e cooperativas, é inviável a comercialização do mel com qualidade e a garantia de preço justo. A organização também serve de precedente para a inclusão em programas de incentivo à cadeia”, avaliou o representante da Febamel, lembrando que o mel é um produto de origem animal sujeito a uma legislação específica e a uma inspeção rigorosa. “Também queremos conscientizar e seduzir o povo brasileiro para incluir o mel na alimentação diária”, completou. O consumo interno de mel no país é de 60 gramas por ano, enquanto que na Europa é de 1,5 quilogramas.
O evento é fruto da parceria entre a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforme Agrária (Seagri), o Sebrae e a Federação Baiana de Apicultores e Meliponicultores (Febamel).
Fonte:
Ascom/Seagri
Ana Paula Loiola
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