Cotonicultores serão obrigados a aderir a programa contra bicudo

06/11/2009

Cotonicultores serão obrigados a aderir a programa contra bicudo

 

 

 


Cunha: "Faremos um programa para reduzir a população, mas não temos condições climáticas para erradicar a praga". Os produtores brasileiros de algodão devem ser obrigados a aderir a um programa de combate ao bicudo do algodoeiro, praga que dizimou lavouras dos Estados do Nordeste, Paraná e São Paulo na década de 1980.

O avanço do bicudo sobre o algodão cultivado no Centro-Oeste, e as significativas perdas financeiras causadas pelo bicho, levaram associações de produtores, fundações de pesquisa e o Ministério da Agricultura a lançar uma iniciativa conjunta para a montagem de um "arsenal" contra a praga até 2015.

As medidas devem incluir novas normas para produção e transporte do algodão, além de penas e multas por descumprimento de obrigações como a destruição das chamadas soqueiras ou adoção do "vazio sanitário" de dois meses sem plantio.

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) estimou ontem um custo de US$ 150 milhões anuais para financiar um amplo programa de redução da incidência do bicudo.

O produtor gasta hoje US$ 120 a US$ 140 para combater o bicudo por meio de 15 a 20 aplicações de agrotóxicos a cada safra. O programa deve reduzir a US$ 20 ou US$ 30 esse custo. A Embrapa avalia uma nova tecnologia para "imunizar" sementes por meio da biotecnologia. Em Goiás, os produtores gastaram R$ 4 milhões em pesquisa contra o bicudo. Bahia e Mato Grosso sofrem com a praga.

Os recursos para o novo programa devem sair de linhas especiais do governo ou via "compensação" financeira ao segmento pela vitória obtida na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios aos produtores dos EUA. "Faremos um programa para reduzir a população de bicudo. Mas não temos condições climáticas para erradicar a praga", diz o presidente da Abrapa, Haroldo Cunha. Os EUA levaram 25 anos para erradicar o bicudo de seu território.

O combate à praga é estratégico aos cotonicultores porque, sem o controle do bicudo, está em risco toda a biotecnologia aplicada ao segmento. "Se temos o bicudo, perdemos o benefício financeiro do algodão transgênico porque preciso aplicar os mesmos defensivos que aplicaria no controle de lagartas", diz Cunha. Os produtores já iniciaram três projetos-piloto em fazendas no Centro-Oeste para testar técnicas, cultivares e manejos. Vale tudo contra o bicudo.
 
Fonte:
Valor Online