Óleo de soja puxa avanço da mineira Algar Agro

12/11/2009

Óleo de soja puxa avanço da mineira Algar Agro

 

 

 



A Algar Agro, divisão do Grupo Algar, vai fechar o ano com crescimento de 10% na receita líquida, chegando a R$ 1,1 bilhão e um processamento de 1,2 milhão de toneladas de soja. O responsável por esse resultado, segundo o presidente da Algar Agro, Luiz Gonzaga Maciel, chama-se ABC de Minas. "Essa é nossa marca de óleo de cozinha que é líder em Minas Gerais e nosso principal produto", afirma o executivo.

Atualmente, o óleo de soja ABC de Minas é responsável por 56% da receita líquida da empresa. Outros 34% vêm da produção de farelo de soja (34% são exportados) e cerca de 10% vêm da produção de óleo bruto de soja para produção de biodiesel. "Claro que não fazemos o joguinho de exportar mais quando o câmbio está favorável ou vender mais internamente quando ele se inverte. Mas ter atuação nas duas áreas é o que dá uma certa flexibilidade para a empresa", diz Maciel.

O ABC de Minas tinha 22% do mercado mineiro até junho. Entre julho e agosto, passou para 26,5%, segundo a Nielsen, em volume. O produto, que também é vendido em São Paulo, no Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, vem ganhando espaço nas prateleiras de supermercados de outros Estados também, segundo Maciel. "A estratégia da Algar Agro é ser uma empresa nacional com atuação regionalizada".

O acréscimo da expressão "de Minas" à marca ABC, em maio de 2008, foi planejado de acordo com essa estratégia. "Além de remeter à boa mesa e à boa comida mineira, o que é comprovado por pesquisas feitas em todas as regiões em que atuamos, a marca ganhou mais empatia do consumidor", avalia.

No ano, o preço do óleo de soja se valorizou 15,45% na bolsa de Chicago, segundo o Valor Data. Mas o ABC de Minas, além de ter se beneficiado dessa alta, também ganhou mercado. De acordo com o presidente, as vendas da marca em volume cresceram 7%. "Nosso posicionamento de preço é o mesmo das marcas duas duas grandes multinacionais que lideram o setor", afirma ele, se referindo à Bunge e à Cargill, donas dos óleos Soya e Liza, respectivamente.

O que dá fôlego à Algar Agro é o foco em pequenos varejistas, ou supermercados com até dez caixas. "As grandes dominam as vendas nos grandes hipermercados. Disputar com elas seria dar um tiro no pé. Por isso o nosso foco são os canais de venda menores", diz.

Dando preferência a esse pequeno varejo, a Algar Agro consegue mais proximidade com os supermercadistas, o que lhe garante uma margem de lucro melhor.

O mercado nacional de óleo de soja movimentou em 2008 R$ 4,5 bilhões com crescimento de 31% sobre 2007, segundo a Nielsen.

Seguindo essa estratégia, a Algar Agro quer fechar 2010 com crescimento de 30% chegando a 1,5 milhão de toneladas de soja processada, independentemente do câmbio. A empresa tem fábricas em Uberlândia (MG) e no Maranhão. A fábrica do Nordeste, que em seus três anos de funcionamento recebeu R$ 220 milhões em investimentos, deve começar a produzir óleo para o varejo no ano que vem. Até agora, a produção se concentrou no óleo bruto, para a produção de biodiesel. "O que tem segurado os negócios por lá é a deficiência de portos. O governo do Estado nos adiantou que vai abrir licitação para ampliação do porto de Itaqui ainda este ano", declara.