Estado apresenta projeto para inclusão de comunidades quilombolas da Bahia
'Pela primeira vez, o Governo se reúne e articula para refletir sobre a realidade quilombola. Essa ação da Sedir e da CAR é muito inovadora e importante, porque busca entender o desejo e a alma quilombola, antes de executar projetos para essas comunidades. Queremos pensar esse trabalho a partir da cultura do povo, da preservação", destacou na manhã de ontem, durante encontro no Marazul Hotel, no bairro da Barra, a professora e coordenadora do projeto Irê Ayó, Vanda Machado, do Núcleo de Culturas Populares e Identitárias da Secretaria de Cultura (Secult).
O evento, que teve a participação de lideranças quilombolas, foi aberto na quarta-feira pelo representante da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), Emanoel Lima, e pela superintendente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Maria Lúcia Carvalho.
A programação organizada pela Sedir e pela CAR teve como objetivo trocar experiências sobre as políticas públicas voltadas para a igualdade racial e discutir as questões quilombolas.
Combate à pobreza - Durante as atividades, o coordenador de Apoio aos Povos e Comunidades Tradicionais, Antonio Fernando da Silva, da CAR, apresentou o Projeto de Inclusão das Comunidades Remanescentes de Quilombos, assinado recentemente entre o Governo do Estado e o Banco Mundial (Bird), prevendo, nos próximos quatro anos, o desenvolvimento de ações em comunidades de vários municípios baianos.
Segundo Fernando, esse é um projeto específico para as comunidades quilombolas. Além da Bahia, os estados do Ceará e Pernambuco também abraçaram essas ações, sendo que, na Bahia, só a CAR coordena essas atividades.
"Vamos trabalhar a inclusão digital, construindo centros multiusos e estimulando essas comunidades a se organizarem para conhecerem as políticas públicas, já que têm mais dificuldade para acessar esse conteúdo".
O projeto, que tem como meta a inclusão das comunidades quilombolas, integra uma proposta mais ampla de combate à pobreza rural implementada pelo Bird, pelo governo japonês e governos estaduais da região Nordeste do Brasil.
Os recursos são da ordem de US$ 877,6 mil e vão priorizar comunidades localizadas nos Territórios de Cidadania como o Baixo Sul, Litoral Sul, Chapada e Velho Chico.
Produzir - Aliado às novas ações que estão sendo empreendidas pela Sedir, por meio da CAR, a companhia já vem realizando, com o Programa de Combate à Pobreza Rural (Produzir), obras em dezenas de municípios, favorecendo cerca de 90 comunidades quilombolas, com a implantação de projetos como poços tubulares, barragens, mecanização agrícola, energia elétrica, sistema de abastecimento de água, postos telefônicos e sanitários residenciais.
Já foram construídos também projetos de casas de farinha, melhoria de trechos de estradas, sistemas de irrigação, energia solar, fábrica de fécula e farinha de madioca, unidades de beneficiamento de leite e sisal, módulo para feira, cisternas, núcleos de caprino-ovinocultura e galpões para comercialização, entre outros.
Os recursos investidos totalizam cerca de R$ 8,9 milhões, beneficiando mais de 11,3 mil famílias quilombolas.