Alento para a crise das frutas no Nordeste
Os produtores de frutas do vale do submédio São Francisco, responsáveis por mais de 95% das exportações da uva de mesa e de mangas do país, esperam recuperar parte das perdas registradas em razão das fortes chuvas registradas na região nos últimos anos e do câmbio.
Segundo José Gualberto, presidente da Valexport, associação que reúne produtores e exportadores locais, no primeiro semestre deste ano a perspectiva era de exportar 3 milhões de caixas de uva, mas o resultado final não superou 700 mil. "Para este segundo semestre esperamos exportar 5 milhões de caixas de uva e 15 milhões de caixas de manga. Mas o que realmente daria fôlego à retomada do crescimento seria a renegociação das dívidas junto ao
Para tentar driblar a crise, os produtores locais, que até 2004 contavam com auto-financiamento garantido pela alta rentabilidade em dólar das exportações, estão renegociando dívidas e pedindo antecipação de receitas junto aos clientes. "Os bancos praticamente cortaram as antecipações de contratos de câmbio [ACC], por exemplo. Como já tivemos dois anos seguidos de crise e este primeiro semestre também foi ruim, estamos contando apenas com nós mesmos", diz Marcos Vinícius, produtor de uvas.
Conforme Gualberto, os produtores continuam tentando abrir um canal de diálogo com Brasília para renegociar as dívidas. Até mesmo a Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária (SPRRA) de Pernambuco vem tentando influenciar em uma decisão favorável aos agricultores locais. O assunto também vem sendo alvo de preocupação por parte das empresas locais que vendem equipamentos e máquinas agrícolas. Somente na Tratorvale, empresa que participou da Agrishow Semi-Árido, que foi aberta ontem em Petrolina, o número de tratores comercializados que chegava a uma média de 40 a cada ano, caiu para apenas 20 unidades no ano passado, segundo informou um de seus vendedores.
A primeira edição da Agrishow Semi-Árido foi aberta em uma área de 20 hectares e é integralmente voltada para a agricultura em áreas de sequeiro. De acordo com o presidente da Abimaq, Newton de Melo, o evento deverá reunir um público de 60 mil pessoas até o final do evento, que acontece no próximo dia 15.