Vale tenta atrair citricultura paulista (Valor Econômico)

12/07/2006

Vale tenta atrair citricultura paulista

 
 

Em meio a uma crise na produção de frutas como uva e manga, em virtude de dois anos seguidos de clima desfavorável e da guinada cambial do último ano, o Vale do São Francisco, cujos principais pólos são os municípios de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), tem a expectativa de receber investimentos da cadeia citrícola paulista nos próximos anos.


A convite da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Centro de Conhecimento em Agronegócios da Universidade de São Paulo (PENSA/USP) analisou a viabilidade econômica de investimentos no plantio de laranja e na produção de suco na região, e chegou à conclusão de que o negócio pode vingar. Com o projeto, que será apresentado hoje em Brasília, o objetivo é seduzir indústrias como Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Coinbra, cujas bases de produção historicamente é em São Paulo - que reúne o maior parque citrícola do mundo - e que lideram a exportação de suco.

Segundo as conclusões do PENSA, a viabilidade de se investir em laranja no vale decorre de vantagens como disponibilidade de água de boa qualidade, infra-estrutura disponível, inexistência do custo de aquisição da terra, mão-de-obra disponível capacitada e mais barata, disponibilidade de insumos, principalmente fertilizantes e corretivos, e sinergia com institutos de pesquisa.

Resultados preliminares mostram que, em São Paulo, o custo operacional por hectare para a citricultura irrigada é cerca de de 5% menor que no pólo Petrolina/Juazeiro. Mas no caso do custo total (custo operacional + investimentos necessários), o cenário paulista passa a ser menos vantajoso, com custo de 22% maior. Comparando o custo por caixa, o pólo nordestino se mostra ainda mais competitivo, com custo total cerca de 29% menor que o paulista.

Segundo Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), há interesse mas eventuais investimentos dependerão das empresas. Fontes ligadas às indústrias, contudo, mostram-se reticentes e dizem temer a influência política na região do vale.