RS sedia Feira de Sementes Crioulas e Tecnologias Populares em dezembro

25/11/2009

RS sedia Feira de Sementes Crioulas e Tecnologias Populares em dezembro

 

 

Um evento que busca valorizar a agricultura familiar, os empreendimentos populares e as sementes Crioulas. Esse é um dos objetivos da IV Feira Estadual de Sementes Crioulas e Tecnologias Populares, que acontece nos dias 5 e 6 de dezembro na cidade de Canguçu, a 280 quilômetros de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, região Sul do Brasil. Na Feira haverá troca de sementes, mostra de agroindústria, circuito técnico e cultural.

Segundo André Ferreira, presidente da União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu (UNAIC), entidade que promove o evento, no circuito técnico haverá discussão sobre a problemática da monocultura no Bioma Pampa, tema central deste ano.

Também será feito o lançamento de um vídeo no qual os agricultores familiares relatam a sua preocupação com a expansão de grandes áreas da monocultura. André informa que a grande ameaça do Bioma Pampa é o cultivo em larga escala de Eucalipto, Pino e Acácia.

De acordo com o presidente da UNAIC, 700 pessoas devem movimentar a Feira, entre expositores, agricultores, artistas e debatedores. Os participantes são de diversos estados do Brasil e também de países como Argentina e Paraguai.

O público estimado é de 25 mil pessoas nos dois dias do evento. Em 200 estandes poderão ser encontrados produtos da agroindústria, do campo, de associações e cooperativas populares, artesanatos e sementes.

Ele ressalta ainda que a Feira tem caráter social. "É um evento totalmente social. Os participantes têm transporte gratuito. Queremos trazer o público que não tem condições, aqueles que estão longe e que são excluídos", explica.

Para buscar esse público, André esclarece que as dezesseis entidades que fazem parte da organização da Feira, trabalham para este fim. Ele destaca ainda que o evento já tem uma marca forte e que se mobiliza sozinho.

Entre os avanços, André destaca que a realização do evento conseguiu unir pessoas com pensamentos diferentes sobre agricultura familiar. "É uma discussão sobre sociedade mais justa, sobre a importância dessa agricultura e a preservação da semente crioula".

Em cada região, essa semente que não sofre modificação genética, tem um nome. Na região Norte, por exemplo, ela é conhecida como semente cabocla. Essas sementes são preservadas e consideradas patrimônio genético, sendo encontradas apenas em comunidades mais antigas, como os agricultores familiares, indígenas e quilombolas. "A gente entende que não pode haver desenvolvimento sustentável se não houver a preservação da semente. A semente é o início de tudo", declara ele.

UNAIC

Criada há 14 anos, a UNAIC, desde seu início, tem como proposta multiplicar as sementes crioulas, unindo as comunidades onde elas se encontram. O excedente da produção das sementes é comercializado por intermédio do Banco de Sementes.

O Banco Comunitário de Sementes foi criado em 1997 com o objetivo de promover a troca de sementes entre os agricultores e a reprodução e preservação dessas variedades. A iniciativa fortalece a prática da agricultura familiar. Segundo a entidade, só na região de Canguçu, pelo menos 40 mil pessoas já foram beneficiadas por esse cultivo.

PRÊMIO

O Banco de Sementes Crioulas de Canguçu está entre os finalistas para o 5º Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2009. "Já nos consideramos vencedores, por estarmos entre os 24 melhores projetos", comemora André.

Fonte:
Adital
Tatiana Félix - Jornalista