Captação de leite avança e preços ao produtor voltam a cair no país
O aumento da oferta de leite por causa da safra nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país derrubou os preços pagos aos produtores em novembro. A matéria-prima, entregue em outubro, teve preço médio de R$ 0,644 por litro, aponta levantamento da Scot Consultoria. O valor é 5,7% inferior ao pago em outubro e entregue em setembro.
Levantamento do Cepea/Esalq, da Universidade de São Paulo, mostra queda de 8,8% na mesma comparação, para uma média de R$ 0,6371/litro. A pesquisa leva em conta preços no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Segundo o Cepea, houve um aumento expressivo - de 7,6% - do volume captado em outubro por laticínios e cooperativas. O Índice de Captação de Leite/Cepea atingiu o maior nível do mês de outubro desde o início da pesquisa, em junho de 2004. O volume captado ficou próximo dos picos históricos de dezembro de 2007 e de janeiro de 2008.
Na avaliação do Cepea, o aumento da captação deve-se em grande parte ao período chuvoso e às temperaturas altas nas principais bacias leiteiras, o que favorece a produção de pastagens. Outro fator que pressionou as cotações do leite ao produtor foram as importações de lácteos do Brasil, que cresceram este ano, diz o Cepea.
Além da oferta maior, a demanda por lácteos no varejo começa a diminuir nesta época, com a proximidade do fim do ano, diz Rafael Ribeiro, consultor da Scot. Por conta disso, alguns laticínios que ampliaram a captação estão optando por secar o leite para produzir leite em pó.
Ainda que as exportações do produto tenham caído este ano, a expectativa é de melhora em 2010, avalia Ribeiro. Uma das razões é que os preços internacionais já começam a se recuperar.
O acompanhamento da Scot mostrou que os preços do leite longa vida no varejo também recuaram em novembro, reflexo da oferta maior. O preço médio ficou em R$ 1,59 por litro, ante R$ 1,71 em outubro.
Para Ribeiro, a tendência é de que o valor pago aos produtores continue a recuar até janeiro, por causa do período de safra.
Conforme cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente a de maior liquidez), mesmo as commodities agrícolas que recuaram (açúcar, café e cacau) contaram com o suporte oferecido pela deterioração do dólar, que conteve as variação negativas dos preços. "O dólar e os movimentos financeiros dos fundos continuaram sendo a grande influência do mercado", afirmou Renato Sayeg, da Tetras Corretora, de São Paulo.
Para soja e milho, duas das commodities agrícolas de maior liquidez, as chuvas durante a colheita nos Estados Unidos ajudaram a sustentar as cotações em novembro, ao mesmo tempo em que os sinais de reaquecimento da demanda chinesa se somaram aos fatores "positivos" para os preços da soja. Mas, da trinca, o trigo, cujo plantio nos EUA poderá ser afetado pelas chuvas que atrasam a colheita dos outros dois produtos, foi quem mais subiu. Seu preço médio foi 8,66% superior ao registrado em outubro, ante as valorizações médias de 5,4% do milho e de 4,69% da soja.