Com um mês de atraso, colheita de algodão começa em MT
Clima prejudicou rendimento das lavouras e safra pode ser até 15% menor
Depois de um atraso de quase 30 dias, as colhedoras de algodão começaram a operar nos campos de Mato Grosso. As chuvas que caíram sobre a principal região produtora prejudicaram a lavoura, que deve sofrer uma queda entre 10% e 15%, segundo as primeiras análises da administradora do Condomínio Marechal Rondon, Cleida Silva. Desde o começo do ano, o ciclo do algodão foi prejudicado pelo clima. Além das chuvas, o veranico ocorrido em janeiro reduziu a produtividade das maçãs, que não atingiram o peso ideal.
Apesar dos prejuízos climáticos, a produtividade em Campo Novo do Parecis tem sido boa nos primeiros talhões colhidos. Até agora, cada hectare tem rendido entre 230 e 240 arrobas. A expectativa para o fim da colheita, no entanto, é a de que essa média seja puxada para baixo em todo o Centro-Oeste.
CONTRATOS
Depois das medidas de ajuda do governo, os produtores preocupam-se agora em honrar os contratos. O prêmio de R$ 0,2475/libra, proporcionado pelo Prop, ajudou a elevar a renda dos produtores, que já começam a fechar negócios para 2007. Segundo o ex-presidente da Associação Mato-Grossense dos Produtores de algodão (Ampa), João Luiz Ribas Pessa, cerca de 300 mil toneladas já foram negociadas para a safra 2006/2007. A diferença, este ano, é que os preços estão 15% maiores do que os fechados no ano passado.
A sinalização dos preços do mercado atacado na última semana, em todo caso, é de queda. A disponibilidade já está aumentando. Nos negócios à vista, pequenos compradores fecharam negócios entre R$ 1,28 e R$ 1,30 por libra. Na última quarta-feira (dia 5), o índice Esalq fechou em R$ 1,31 por libra, mas corretores afirmam que apenas negócios a prazo saem a tais valores. Vale lembrar que o mercado estava na faixa de R$ 1,35/libra na semana anterior.
EQUIVALÊNCIA-PRODUTO
Observadores notam que grandes comerciantes começaram a oferecer programações de três meses, contando a partir deste mês, por R$ 1,20 por libra. Com o dólar de hoje, o valor seria equivalente a US$ 0,55, portanto haveria margem em relação ao negociado com produtores antecipadamente. “Os produtores fizeram operações de troca por agroquímicos em equivalência-algodão, e o produto foi repassado em triangulação para as tradings”, observa um operador da BM&F.
O fato é que o mercado está no momento bastante estreito. Os grandes compradores estão de lado, apostando que seus estoques durarão mais do que a entressafra. Em todo caso, as empresas comerciais enviam sinais baixistas para o fim do mês.
Alexandre Inacio e Renato Stancato