Rebanho rastreado vale mais

13/07/2006

Rebanho rastreado vale mais

Daí a vantagem de o pecuarista investir na rastreabilidade

 

As vantagens que um bom sistema de rastreabilidade proporciona são inúmeras, a começar pela valorização da carne no mercado. Além disso, o pecuarista que adota um controle completo e rigoroso do rebanho consegue gerenciar melhor a fazenda, pois ele passa a saber as exatas condições de cada animal e seu desempenho em relação ao restante do rebanho.

“Que produtor quer manter um animal que não esteja ganhando o peso esperado?”, diz o professor Iran José Oliveira da Silva, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). “Sob o ponto de vista administrativo, saber exatamente o que cada animal rende é sinônimo de lucro. Aí entra a importância da rastreabilidade, com o registro do dia-a-dia dos animais.

O processo de rastrear o rebanho envolve, basicamente, um sistema de identificação (brincos) e um programa (software) de controle, que funciona como um banco de dados. A partir daí é possível compor um histórico completo do rebanho. E, conforme Silva, a rastreabilidade, para ter resultados positivos, deve ser feita por animal, e nunca por propriedade.

De acordo com Silva, que também é coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea), da Esalq, muitos pecuaristas não sabem nem o número de cabeças de gado que há na fazenda, quem dirá saber o histórico de vacinação dos animais. “A rastreabilidade é importante porque garante um controle de qualidade e, na ponta da cadeia, de segurança alimentar. Se houver qualquer problema de ordem sanitária, é fácil identificar a causa e resolver a questão rapidamente”, explica. “Rastrear nada mais é do que traçar o caminho percorrido para a produção de um determinado alimento”, resume.

OBRIGATORIEDADE
Para o professor da Esalq, a obrigatoriedade de adesão ao Sistema Brasileiro de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), do Ministério da Agricultura, prejudica muito a rastreabilidade no País, pois os pecuaristas se sentem pressionados e não a enxergam como uma aliada, mas como algo imposto. “O produtor não gosta de se sentir obrigado. Ele precisa ver a rastreabilidade como uma ferramenta a mais para reduzir perdas e garantir um produto de boa qualidade para o consumidor.”

Conforme explica Silva, adotar um sistema de rastreabilidade não significa ganhar mais, mas perder menos. Isso porque, normalmente, os frigoríficos não pagam a mais pela carne rastreada. E quem não rastreia recebe menos. Segundo calcula Silva, um animal não-rastreado vale R$ 2 a menos por arroba.

Fernanda Yoneya