Mudança de hábitos é decisiva
Deixar a torneira aberta enquanto se escova os dentes, cantar no chuveiro e tomar um banho de meia hora, lavar o carro com mangueira muito demoradamente.
Tudo isso compõe uma série de desperdícios do bem precioso que é água. A falta de informação acaba por gerar displicência e um uso pouco inteligente dos recursos hídricos, já escassos no presente para muitas populações mesmo na Bahia. Estimativas revelam que 38% das águas tratada é desperdiçada por mau uso, quantidade suficiente para atender a pelo menos cinco milhões de pessoas. Brasil afora a realidade não é diferente, em algumas regiões o desperdício chega até 45%.
Não é só a falta de racionalização do uso que gera desperdício. Outros vilões cooperam para que os números da perda de água sejam: o desvio ou roubo de águas (popularmente conhecido como gato), os vazamentos e ou problemas nas ligações, obras inacabadas, estratégias pouco inteligentes de irrigação na agricultura (maior consumidora dos recursos hídricos no País, 70% da água doce brasileira). O desperdício se eleva de acordo com a classe social: quanto mais alto o padrão de vida, mais água é jogada fora.
O baiano médio consome 200 litros de água diariamente, mas os membros da classe alta podem chegar aos 400 litros por dia, de acordo com dados da Embasa. O relatório do Instituto Socioambiental, organização não-governamental ambientalista de atuação nacional, muito do desperdício acontece muito antes da água chegar nos domicílios, mas já se realiza na retirada dos mananciais e chega a estimativa de 2,8 bilhões, o que seria suficiente para atender a 38 milhões de pessoas em todo país.
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) vem implantando uma série de ações para evitar o desperdício dos recursos hídricos, através de conscientização ambiental e mobilização social. Recentemente, foi premiada pelo seu projeto Com + Água, com destacada atuação em Ilhéus.
Esse trabalho é feito através de ações como o controle e a adequação da relação oferta X demanda, setorização dos sistemas de abastecimento de água, melhoria da infraestrutura de sistemas, por meio da substituição de redes entre outras iniciativas que criam condições para evitar o desperdício e a perda do recurso. “Programas de educação ambiental, sensibilizando a sociedade para a necessidade do uso racional da água, que poupa os mananciais e produz menos esgotos, também são veiculados sistematicamente na mídia e são executados em conjunto com as obras”, explica Júlio Mota, superintendente de Meio Ambiente e Projetos da Embasa.
MONITORA A Bahia possui águas com boa qualidade na maior parte de suas bacias hidrográficas, é o que demonstra o Monitora, programa do Ingá responsável pela monitoramento das Regiões de Planejamento e Gestão das Águas RPGA, avaliando a situação dos recursos hídricos no estado. O resultado aponta para um resultado positivo nas condições dessas águas, contudo na proximidade das aglomerações urbanas, pela falta de infraestrutura urbana, saneamento, tratamento de resíduos industriais, ocupação desordenada do solo, dentre outros problemas, essa qualidade cai.
O dado positivo é que a extensão da rede de abastecimento e esgotamento sanitário tem avançado bastante. De acordo com dados da Embasa, no contexto urbano, o abastecimento de água alcança 95,16% e 33,99% para esgotamento sanitário. A desejada universalização do acesso dos cidadãos baianos atendidos pela Embasa está prevista para 2028.