Pescar é uma arte que exige muita paciência e aplicação
Isca, anzol e vara de pescar. Seja no mar ou em tanques artificiais, o ato de capturar peixes na água exige paciência e habilidade. Amadores e profissionais contam sobre a atividade e revelam que, além de ofício e hobby, a pescaria pode ser considerada uma arte.
Na capital baiana, o Clube de Pesca de Salvador (Clupesal) reúne interessados em incentivar a pesca esportiva na região. “Tudo começou com reuniões de um grupo de amigos dispostos a manter a prática viva”, conta Ervin Bobel Neto, um dos dirigentes do grupo. Além de agregar os integrantes, o Clupesal promove campeonatos mensais e mantémum endereço eletrônico (www.clupesal.com.br) para orientar e tirar as dúvidas técnicas dos internautas.
Para praticar em família, vale conferir o Clube Recreativo Acris, um pesque-pague localizado em Camaçari, onde é possível alugar instrumentos por um preço acessível e pescar à vontade.
Confira, também, a “história de pescador” de Vavá, o Valdimiro Zoanny, que trabalha na colônia de pescadores do Rio Vermelho há 53 anos
Vavá celebra seus 53 anos de parceria com as coisas do mar
Valdimiro Soares Zoanny começa a lida antes de os primeiros raios de sol despontarem no céu. Diariamente, por volta das 3 horas, ele deixa o bairro daFederação e segue para a colônia de pescadores do Rio Vermelho. Com um barco a motor, navegapor duashoras atéchegarà áreadoBaixioCoroa, no alto-mar, onde começa a pescaria.
Vavá, como é conhecido pelos companheiros de trabalho, faz o mesmo percurso marítimo há 53 anos. “Comecei com 15 anos aqui. Hoje eu tenho 68 bem vividos”, diz.
Netode índio, ele relataque aprendeu a pescar com os profissionais da região. Entra no mar,todos os dias,commuita fé em Deus e nas águas. “O resto pode estar contra”, afirma, cheio de convicção.
Sem cerimônias, conta que possui outras habilidades profissionais. “Sou motorista, encanador, mecânico, eletricista, carpinteiro naval, pescador, encanador, pedreiro, sapateiroe pescador”,conta, logo após revelar que começou a trabalhar bem cedo, aos 9 anos, como sapateiro.
Cheio de histórias para contar, ele faz questãodenarraro dia em que ficou à deriva por cinco horas seguidas. “O barcovirou eeuvim nadandoaté o Quartel de Amaralina. O barco não tinha motor, era só pano. Chegamos nus, eu e mais dois tripulantes. Tiramos o calção, porque dificultava o nado. Levamos bronca no quartel”, relembra. Depois de explicarem sobre o incidente, receberam roupas limpas, uma xícara de café euma dose de cachaça cada um. “Foi para esquentar”, justifica. O corpo ficou todo paralisado e o “tato na mão” só voltou no outro dia. Quando o “causo” aconteceu, Vavá tinha 38 anos. E garante: essa história é de pescador, mas é verdade.