Nordeste terá mais variedades de cana de maior eficiência

17/12/2009

Nordeste terá mais variedades de cana de maior eficiência

 

 

 

A Rede Universitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa) vai lançar em março do ano que vem 13 novas variedades de cana-de-açúcar, resultantes de cruzamentos genéticos que estão sendo realizados há quase 15 anos. Os modelos foram desenvolvidos com o intuito de elevar a eficiência da produção nacional, mais especificamente a da região Nordeste, que é bem menor que a do Centro-Sul.

Das 13 variedades que serão apresentadas, sete foram desenvolvidas especialmente para o Nordeste, onde a produtividade gira hoje em torno de 60 toneladas por hectare. No Centro-Sul, o rendimento é de 90 toneladas na mesma área. Segundo o coordenador da Ridesa em Pernambuco, Djalma Eusébio Simões, a expectativa é que a utilização das novas variedades aumente a produtividade do Nordeste em pelo menos 17% nos próximos três a cinco anos, para 70 toneladas por hectare.

Além do maior volume de produção por área plantada, a entidade espera elevar em pelo menos 10% o índice ATR (Açúcar Total Recuperado), que mede o teor de sacarose da cana. "A ideia é aumentar a produtividade agrícola e industrial", resume o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool (Sindaçúcar) de Pernambuco, Renato Cunha.

Segundo o coordenador da Ridesa, a ideia é que os produtores da região tenham disponíveis um leque maior de opções de plantio, que possa ser manejado conforme as necessidades de tempo e ambiente. Ele disse que algumas das novas variedades, por exemplo, produzem mais açúcar no período de início de safra no Nordeste, que ocorre em julho no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Outras variedades, segndo ele, são mais propícias para o meio da safra.

Simões afirmou que as variedades que serão lançadas têm maior tolerância ao estresse hídrico, problema comum nas lavouras do Nordeste. "Também são mais tolerantes a pragas e doenças".

Além da melhoria genética das plantas, a Ridesa informa estar atuando em outras frentes para aumentar a produtividade nordestina, especialmente no que tange a melhorias na qualidade do solo e no tratamento de doenças. Segundo Renato Cunha, as usinas da região direcionam cerca de R$ 700 mil por ano para a Ridesa.

A produtividade inferior do Nordeste é explicada basicamente pelo regime de chuvas e pelo relevo da região, ambos irregulares. Os aclives e declives da topografia nordestina dificultam a colheita mecanizada, que prospera nas plantações do Centro-Sul, onde são necessários, em média, 0,8 trabalhador para colher 1 mil toneladas de cana. No Nordeste, são 5,8 trabalhadores.

Com aproximadamente 11% da produção nacional, a safra 2009/10 do Nordeste deve ficar em torno de 64 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da safra anterior, que beirou 66 milhões de toneladas (ver texto abaixo). Segundo o Sindaçúcar pernambucano, até o dia 15 de novembro as usinas da região já haviam moído 25,12 milhões de toneladas, cerca de 39% do estimado para o ano. Alagoas e Pernambuco são os principais Estados produtores.