Petrobras vai ampliar produção na Bahia

29/12/2009

Petrobras vai ampliar produção na Bahia


O investimento de R$ 250 milhões na implantação deuma tecnologia pioneira na América Latina deverá ampliar em até 30%a produção do campo de petróleo de Miranga, em Pojuca – a 67 km de Salvador.Com as operações iniciadas ontem pela Petrobras, o projeto piloto prevê a injeção de 370 toneladas diárias de gás carbônico (CO2) nas rochas reservatório do campo petrolífero baiano, resultando numa ampliação do alcance da prospecção de petróleo.

Com a adoção desta tecnologia, as reservas do campo devem saltar de 11 milhões para 16 milhões de barris. “Com a injeção do gás carbônico, vamos aumentar a eficiência da retirada do óleo de dentro das rochas-reservatório. Será uma oportunidade de revitalizarmos o campo de Miranga”, avalia o gerente de engenharia de produção da Petrobras na Bahia, Nilson Cunha.

Os testes no campo de Miranga servirão de experiência para a prospecção de petróleo em mega campos do pré-sal, como o da Bacia de Santos, nos quais o petróleo é retirado junto com o gás carbônico. “A utilização desta técnica aqui na Bahia funcionará como um laboratório para a produção do pré-sal, onde futuramente faremos a gestão do CO2 que será produzido”, explica Nilson Cunha.

O gás carbônico retirado das indústrias do Polo de Camaçari será transportado para Pojuca através de 50 quilômetros de carbodutos já existentes.No campo petrolífero, o CO2 é injetado através de bombas sob uma alta pressão de 175 kgf/cm² (quilogramaforça por centímetro quadrado) dentro das rochas-reservatório.

De acordo com Nilson Cunha, sob estas condições, o gás carbônico tem capacidade de se misturar com moléculas de hidrocarboneto, ampliando a prospecção do petróleo. No processo, cerca de 50% do CO2 fica retido no reservatório, enquanto a outra metade volta ao solo misturada com o petróleo.Posteriormente, o óleo é separado doCO2, que é reinserido nas rochas-reservatório, retomando o ciclo.

Além de rentável, o processo também é considerado ecologicamente correto, já que trabalha com o resgate de CO2 que seria lançado na atmosfera pelas indústrias, potencializando o efeito estufa que causa o aquecimento global.A priori, será utilizado o gás carbônico de duas unidades do Polo Industrial de Camaçari – a Oxiteno e a Fafen Energia.A expectativa é que, no período de um ano, sejam retidas no subsolo 67 mil toneladas de gás carbônico.

“Neste projeto serão atingidos dois objetivos: a diminuição da quantidade de emissões de gases-estufa na atmosfera, além da ampliação da produção do campo de petróleo”, comenta José Alberto Franco, consultor sênior da Fafen.

A Fafen implantou há cerca de um mês um projeto para sequestro de óxido nitroso (N2O), gás também responsável pelo efeito estufa. A proposta é adquirir 80 mil toneladas de crédito de carbono por ano.