Alta dos preços agrícolas será prejudicada pela queda do dólar

11/01/2010

Alta dos preços agrícolas será prejudicada pela queda do dólar

 

Em 2010, o produto deve sofrer valorização de aproximadamente 25% em relação à safra anterior no mercado internacional.

“Mas quando o valor for convertido em real só será suficiente para cobrir as despesas com a perda no câmbio”, avalia o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), João Carlos Jacobsen.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras), Wilson Andrade, faz cálculos considerando que a valorização do real frente ao dólar em 2009 foi de 26%. “Em 2010, não há qualquer perspectiva de que esta situação se reverta, por isso, os produtores precisam buscar alternativas”, sugere.

No caso do sisal, produtores esperam a inclusão do produto no Programa de Escoamento da Produção (PEP) do governo federal, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A medida deve ser atendida e o governo federal anuncia a disponibilidade de R$ 16 milhões para o programa, diz o superintendente de gestão de ofertas da Conab, Carlos Eduardo Tavares.

“Este não é um problema centralizado em apenas algumas culturas, ele afeta toda a agricultura baiana”, afirma Jacobsen, da Abapa. De acordo com ele, os produtores de soja, no oeste, também sofrem com a baixa do dólar.

“Os preços estão relativamente bons, mas a margem dos produtores está reduzida, os produtores geram caixa, mas não geram lucro”.

Os cafeicultores também se queixam das perdas com o câmbio. “Tudo que foi conseguido em produtividade, qualidade, redução de custos, certificação, não se converteu em mais renda”, comenta o presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Araújo.

De acordo com ele, depois da crise econômica internacional, os estoques mundiais do produto foram reduzidos e, em 2010, a possibilidade de um imprevisto climático pode elevar o preço.

Frutas No Vale do São Francisco, a baixa do dólar tem levado fruticultores a buscar alternativas, como a de maior atenção ao mercado interno.

“Na última safra, conseguimos vender pelo melhor preço dos últimos três anos, mas quando convertemos o rendimento em real, o resultado não é nada bom”, comenta o presidente da Câmara de Fruticultura do São Francisco, Ivan Pinto.

Entre as principais propostas dos fruticultores estão a padronização e a normatização das frutas brasileiras. “O consumidor brasileiro compra frutas sem saber se é um produto selecionado ou refugo de produção, precisamos classificar os produtos de qualidade”, argumenta Ivan.

Os produtores do São Francisco também solicitaram ao Ministério da Indústria e Comércio a adoção da cláusula de salvaguarda contra a uva importada do Chile e da Argentina, que tem concorrido diretamente com a uva nacional, além do avanço nas negociações para a concessão de seguro agrícola, uma antiga reivindicação do setor.

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