Bunge Fertilizantes encerra a produção em Candeias
A multinacional de fertilizantes Bunge suspendeu, por tempo indeterminado, as atividades de sua fábrica em Candeias. A empresa pretende transferir parte da produção para a unidade no município de Luís Eduardo Magalhães, no oeste do Estado. O Sindicato dos Químicos e Petroleiros do Estado, porém, pretende reverter a decisão, porque calcula a demissão de cerca de 100 trabalhadores diretos e indiretos.
Em nota encaminhada pela assessoria de imprensa, a Bunge confirmou o encerramento das atividades da fábrica, em Candeias, no dia 7 de janeiro. Desde então, trabalhadores e representantes do sindicato da categoria fazem plantão no local a fim de evitar a retirada de máquinas e equipamentos.
A empresa justificou a medida a partir da queda do mercado de fertilizantes. “Infelizmente, a unidade demonstrouse economicamente inviável, o que impossibilitou sua continuação”, informa a nota da Bunge à imprensa.
Segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos, de janeiro a outubro de 2009, houve uma queda de 5,8% na entrega de fertilizantes ao consumidor final. O setor calcula queda em 31% nas receitas em 2009 em comparação a 2008.
O Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia aponta, porém, que setor não tem do que reclamar. “Apesar da crise internacional, o ramo de fertilizantes contratou em 2009”, comentou o diretor do sindicato, Carlos Itaparica.
O sindicalista defende a inviabilidade da suspensão da produção, já que a unidade de Candeias está instalada em um local estratégico, próximo de indústrias produtoras de matéria-prima.
Sinval Lordello, diretor do setor de fertilizantes do Sindicato dos Químicos e Petroleiros, também destacou incentivo de R$ 12 milhões recebido em 2009 pela Bunge de Candeias para melhoria e ampliação da planta. “Foram recursos da Lei Kandir”.
A Bunge se comprometeu em transferir funcionários para outras unidades da empresa e divulgou o número de 26 demissões, e não 100 como calculado pelo sindicato. “A empresa só contabiliza os empregos diretos, estamos falando de muito mais gente que ficará desempregada”, diz Sinval Lordello. A Secretaria da Indústria e Comércio da Bahia informou, por meio da assessoria de imprensa, que até ontem não havia sido comunicada oficialmente sobre a suspensão da produção em Candeias.
Reunião De acordo com representantes do sindicato, a resposta definitiva sobre o fechamento da unidade deve ser dada hoje pela direção da empresa em São Paulo. Houve uma reunião no fim da tarde de ontem, mas não houve acordo em relação ao assunto.