Abiec e Apex assinam novo convênio pró-carne bovina
BRASÍLIA - A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimento (Apex-Brasil) assinaram ontem, em São Paulo, um convênio que prevê investimentos da ordem de R$ 7,8 milhões para promover a carne bovina do Brasil no exterior, sobretudo em novos mercados.
É o terceiro pacto assinado entre as partes desde 2001, quando os embarques do segmento alcançaram US$ 1,057 bilhão, conforme informações divulgadas pela Apex-Brasil. Em 2006, a Abiec estima que as vendas ao exterior alcançarão entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4 bilhões, dependendo do futuro dos embargos que restringem a entrada do produto brasileiro em 56 países em virtude do ressurgimento da febre aftosa no país, em outubro do ano passado.
Conforme o ex-ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes, atualmente presidente da Abiec, as ações de promoção previstas privilegiam a participação brasileira nas maiores feiras internacionais de carnes e alimentos, em países como França, Alemanha e China - inclusive com a utilização da estrutura das embaixadas brasileiras no exterior para a realização de workshops com palestras técnicas seguidas de churrascos com cortes típicos nacionais.
" Já realizamos eventos desse tipo, onde aproveitamos para explicar como os animais são criados no Brasil, as regras de rastreabilidade dos produtos e os controles realizados pelos frigoríficos exportadores. Tentamos mostrar a realidade da pecuária brasileira, para desmentir comentários de que a atividade faz uso de trabalho escravo ou é responsável pelo desmatamento da Amazônia " , disse ele.
Para Juan Quirós, presidente da Apex-Brasil, as exportações brasileiras, crescentes nos últimos anos - o Brasil já é fornecedor de 30% das importações globais de carne bovina -, motivam cada vez mais barreiras não-tarifárias, e a programação de promoção delineada procurará combater eventuais danos à imagem do produto nacional junto aos consumidores dos países importadores.
Entre os novos mercados que serão alvo da estratégia estão o árabe, o asiático e o africano. Mas os tradicionais, como a União Européia (onde a campanha contra a carne brasileira é grande em alguns países), serão atacados.
(Fernando Lopes | Valor Econômico)