Brasil e EUA discutem subsídios ao algodão
Brasil e EUA terão uma reunião bilateral amanhã, em Genebra, para tratar dos subsídios americanos ao setor de algodão. Segundo decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) - em disputa aberta a pedido dos governos do Brasil, Austrália e Tailândia -, o apoio já deveria ter sido retirado em 2005 pelas distorções comerciais que provoca e pelos "sérios prejuízos" que causa sobretudo aos cotonicultores brasileiros.
Brasília solicitou o encontro de amanhã para cobrar respostas às 46 indagações que enviou a Washington há duas semanas. Quer saber como e quando, afinal, Washington pretende implementar as decisões da OMC. Já estão pendentes no órgão dois pedidos de retaliação do Brasil contra os EUA em decorrência da demora americana: o primeiro, de US$ 3 bilhões, em razão da manutenção de subsídios proibidos à exportação; o segundo, de US$ 1,032 bilhão, por causa de subvenções internas.
Os dois pedidos foram suspensos para dar tempo aos americanos de alterar os programas de benefícios agrícolas condenados. Mas, como os EUA vêm retardando suas ações, a impaciência dos produtores brasileiros é crescente.
O processo do algodão é seguido com interesse na cena internacional, inclusive em meio às negociações da Rodada Doha de liberalização comercial, que inevitavelmente levarão ao corte da ajuda a produtores americanos de commodities como o algodão.