Estado e produtores de café se unem para aprimorar a cafeicultura baiana
Um convênio assinado entre o Governo do Estado e a Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé) vai garantir a elaboração de um planejamento estratégico para o desenvolvimento da cadeia produtiva do café.
O acordo foi celebrado ontem durante a abertura do 11o Agrocafé – Simpósio Nacional do Agronegócio Café, no Hotel Pestana, em Salvador.
A partir do convênio, espera-se um estudo da cafeicultura baiana que forneça um panorama detalhado do aspecto produtivo das lavouras e sua projeção nos próximos cinco anos.
"O objetivo é traçar as nuances da produção baiana, sobretudo do interior, com vistas ao mercado externo", explicou o secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz.
Segundo o secretário, a cafeicultura tem crescido e ampliado a participação na produção agrícola do estado. Hoje, a Bahia é o quarto maior produtor de café do Brasil, concentrando 5% de toda a produção cafeeira e cerca de 10 mil cafeicultores. O destaque fica por conta do café produzido no município de Piatã, eleito em 2009 como o melhor do país em qualidade.
"Diante disso, queremos qualificar mais a produção, agregando maior valor ao preço final do café. O desafio, portanto, é ampliar nossa capacidade de consumir", observou Muniz.
Merenda escolar – Tendo em vista as necessidades apontadas pelo secretário – da qualificação da produção do café e da ampliação do mercado de consumo –, outros dois convênios foram firmados na ocasião.
O primeiro deles foi a assinatura do termo de compromisso com 29 prefeituras para que as mesmas enviem às respectivas câmaras municipais o pedido de inclusão de café com leite na merenda escolar.
A iniciativa visa não somente aumentar o mercado consumidor do café no estado, como também ampliar a qualidade nutricional do cardápio escolar. Entre os municípios que aderiram à ação estão Luís Eduardo Magalhães, Canavieiras, Iraquara, Correntina, Ituaçu, Lençóis, Nilo Peçanha e Seabra.
Cesta do Povo – O outro acordo firmado foi entre a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Agora, os atuais e futuros fornecedores de café para a rede Cesta do Povo devem estar dentro das especificações técnicas estabelecidas pelo Programa de Qualidade do Café (PQC) e pelo Nível Mínimo de Qualidade (NMQ), ambos da Abic.
Com isso, a Ebal torna-se a primeira rede varejista do Brasil a exigir qualidade mínima recomendável do café torrado e moído que adquire para comercialização em suas 294 lojas.
"Portanto, é uma contribuição e um compromisso da rede Cesta do Povo para a lavoura do café. Na medida em que seleciona um café de melhor qualidade, estimula os cafeicultores a produzirem melhor e isso traz uma consequência positiva", explicou o governador Jaques Wagner.
Durante a abertura do Agrocafé, que segue até amanhã, Wagner ressaltou a importância da organização do setor e do diálogo que mantém com o Governo do Estado para a superação das demandas na área.
Câmara setorial será reativada ainda este ano
O secretário da Agricultura declarou que este ano a Câmara Setorial do Café será reativada. A ideia, observou, é propiciar um fórum permanente sobre o futuro do café na Bahia, com a participação dos principais atores da cafeicultura baiana: produtores, associações, cooperativas e entidades públicas.
"Pretendemos identificar as oportunidades de desenvolvimento da cadeia produtiva do café e definir as ações prioritárias de interesse para o agronegócio voltado ao café e seu relacionamento com os mercados interno e externo. Além disso, a câmara vai estabelecer um elo entre os produtores e o poder estadual, permitindo a participação efetiva da sociedade civil na formulação de políticas públicas", destacou Muniz.
"Estamos fortalecendo todos os espaços de diálogo com a sociedade – com os produtores, com os trabalhadores, com os segmentos sociais. Ao organizar a câmara, estamos privilegiando e auxiliando a relação entre o setor público e o setor privado nessa área de produção", disse o governador.