O fim do nematóide em estufas
Produtores do município de Cerrito, a 50 quilômetros de Pelotas (RS), encontraram uma solução eficiente para controlar nematóides em estufas. Em vez de aplicar nematicidas, os agricultores passaram a fazer a rotação com gramíneas com ótimos resultados. A rotação, feita com aveia preta, milheto e capim sudão, gramíneas facilmente encontradas na região, foi sugerida pela Emater/RS, conforme recomendação da Embrapa.
Segundo o técnico agrícola da Emater/RS, Marcus Vinícius da Cunha Duarte, que acompanhou os trabalhos no campo, a experiência começou em 2000, quando agricultores procuraram a Emater para obter informações sobre formas de controle da praga em estufas. Na época, produtores de tomate, alface, pepino e morango, entre outras hortaliças, estavam perdendo mais da metade da produção por causa dos vermes. “A produção de tomate caiu de 170 toneladas por hectare para 60 toneladas por hectare”, conta Duarte.
Na ocasião, por coincidência, um produtor da região que havia semeado aveia antes do plantio de tomate - para proteger o solo nu da incidência de raios solares -, notou que a infestação por nematóides havia caído de maneira drástica. “Foi então que teve início a experiência de fazer a rotação com gramíneas para controlar a praga. Deu tão certo que os produtores mantêm a prática até hoje”, conta Duarte.
PREJUÍZOS
O nematologista João Maria Charchar, da Embrapa Hortaliças, explica que os nematóides penetram e se multiplicam na raiz das plantas - sobretudo hortaliças -, mas, no caso das gramíneas, que possuem uma estrutura radicular diferente, o verme não encontra “espaço” suficiente para se reproduzir. “A fêmea do nematóide-de-galha, que é a espécie que costuma atacar hortaliças, não acha as condições necessárias na raiz das gramíneas. Não é o ambiente propício para a sua multiplicação.”
Duarte diz que, já no primeiro ano de produção, com as estufas recém-instaladas, os nematóides já causavam prejuízos aos agricultores. “O verme deforma a raiz da planta, impedindo a absorção de nutrientes.”
A temperatura elevada no interior das estufas, a repetição de cultivos e a alta umidade do ar característica da região favorecem o aparecimento da praga. “Quase todas as culturas de verão são sensíveis ao nematóide, que pode tornar inviável o cultivo em estufa no primeiro ano de produção.”