Indústrias tendem a importar mais trigo (Valor Econômico)

21/07/2006

Indústrias tendem a importar mais trigo


As indústrias brasileiras de trigo deverão importar mais cereal nesta próxima safra por conta da quebra da colheita no Sul do país. A colheita de trigo, que se inicia a partir do próximo mês, está estimada em 3,4 milhões de toneladas, uma queda de 30% sobre o ano anterior, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

"Os produtores tiveram problemas com estiagem, o que afetou diretamente a produção do Sul do país", disse Élcio Bento, analista da Safras&Mercado.

Na safra passada, o Brasil importou 6,5 milhões de toneladas de trigo. O país consome cerca de 10 milhões de toneladas anuais. Para este ciclo, o mercado prevê que as importações ultrapassem os 7 milhões de toneladas.



As indústrias se abastecem de trigo argentino. O país é o principal mercado fornecedor do país. "Neste momento, os volumes de a colheita na Argentina ainda são uma incógnita", observou Bento. A safra, que estava estimada inicialmente em 16 milhões de toneladas, foi revista para algo entre 14 milhões e 14,3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). "O país também foi atingido por forte seca." Desde maio, as indústrias argentinas decidiram "auto-regular" as exportações de cereal, limitando-se a 7 milhões de toneladas para contar a inflação. Tradicionalmente, os embarques são de 8,5 milhões de toneladas.

No mercado interno, os preços do trigo mantêm-se estáveis, em plena entressafra. A cotação média, no Paraná, está em R$ 19,77, segundo o Deral. Desde o dia 25 de abril, o governo federal realizado leilões para ofertar o cereal. Neste período, já foram colocados no mercado cerca de 800 mil toneladas de um total de 1,1 milhão de toneladas que estavam nas mãos do governo.

No mercado internacional, contudo, as cotações do cereal estão em alta, por conta do clima adverso nas regiões produtoras de trigo dos EUA. Na bolsa de Kansas, onde são negociados os "hard wheat" (trigo de melhor qualidade), os preços futuros fecharam ontem a US$ 5,175 o bushel, acumulando alta de 47,3% em 12 meses. Em Chicago, onde são negociados os "soft wheat" (trigo de qualidade inferior), as cotações fecharam ontem a US$ 4,245 o bushel, valorização de 21,9% em 12 meses.

"A produção mundial está em queda nos últimos anos", disse Bento. Nos EUA, por conta dos problemas climáticos, a produção deverá cair 14,2%, para 49,14 milhões de toneladas, segundo o último relatório do USDA.