Nova tecnologia poderá agilizar testes
A demora do Lanagro em apresentar os resultados sobre o foco gaúcho de Newcastle foi considerado um mau sinal pela cadeia produtiva de aves e especialistas do setor. Alguns de seus representantes demonstraram clara preocupação com as condições desse e de outros laboratórios oficiais, sobretudo no caso de, no futuro, serem identificadas no país doenças mais graves, como o vírus H5N1 da gripe aviária.
"Um diagnóstico de Newcastle deveria demorar no máximo dois dias, não 60", disse Felipe Luz, secretário da Agricultura de Santa Catarina, que reúne um dos maiores plantéis de aves do país. "O foco de Newcastle foi um bom teste. Agora sabemos que o sistema tem de ser aperfeiçoado". Luz reiterou que esse tipo de diagnóstico tem que sair rapidamente para acelerar as providências sanitárias cabíveis.
Já a forma como o governo gaúcho tratou a ocorrência vem recebendo elogios. O serviço veterinário estadual visitou a propriedade logo após ter recebido o comunicado sobre o possível foco, e em seguida enviou as amostras ao laboratório credenciado. Mas, embora isso tenha ocorrido em maio, a resposta sobre os testes do Lanagro saiu em julho.
"Com essa demora, não está descartado que os problemas tenham ultrapassado a propriedade", comentou Hamilton Farias, presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), ligada à Secretaria da Agricultura do Estado. Ele disse, contudo, que confia nas informações das autoridades gaúchas, que até agora descartaram que o foco possa ter se alastrado. "Outra questão é saber como o vírus chegou lá".
A pesquisadora Liana Brentano, da
Suínos e Aves, de Concórdia (SC) - que não participou das análises do caso gaúcho - explicou que muitas vezes o diagnóstico demora para que os resultados não deixem margem de dúvida. Ela afirmou que os prazos também preocupam os pesquisadores e o Ministério da Agricultura, e que por isso estão sendo feitas mudanças. "Estamos nos preparando para passar a fazer testes moleculares".
Liana está no Lanagro de Campinas participando da fase inicial de desenvolvimento desses testes. A agilidade pretendida, concordam pesquisadores, será vital especialmente a partir de setembro, quando começa a temporada de migração de aves, principalmente da América do Norte para o Brasil.
Mesmo que os testes moleculares agilizem os resultados, em algumas situações os laboratórios não poderão fugir do teste de isolamento viral para ter 100% de certeza, sobretudo em casos de alta patogênese. Liana acredita que em dois meses já haverá uma estrutura para análises moleculares no Lanagro. Hoje, três pessoas desenvolvem a metodologia, que no futuro será executada por especialistas do Ministério da Agricultura.