Conflitos por terra têm redução de 41% o interior da Bahia

16/04/2010

Conflitos por terra têm redução de 41% o interior da Bahia

 

A Bahia está em 17º lugar no ranking nacional de violência no campo, segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado ontem. Em relação ao ano anterior, o Estado teve uma queda de 41% nos conflitos por terra, passando de 39 em 2008, para 23 em 2009. As maiores vítimas deste embate continuam sendo os trabalhadores sem-terra e as comunidades tradicionais.

Com 3.975 famílias envolvidas nos conflitos, a Bahia é o 5º em número de pessoas atingidas no País.

Os números do Brasil no relatório apontam um crescimento no total de conflitos, passando de 1.170 em 2008 para 1.184 em 2009. Especificamente as brigas pela terra passaram de 751 em 2008, para 854 em 2009. No período de um ano, o País teve um aumento de 44 para 62 no número de tentativas de assassinato e um crescimento de 36,5% no número de famílias despejadas, passando de 9.077 para 12.388.

De acordo com o agente da CPT Bahia e coordenador do Projeto São Francisco, Ruben Siqueira, apesar dos números terem diminuído no Estado, a violência continua preocupando.

“Comemoramos a queda no número geral de ocorrências, mas o que se observa nos últimos 25 anos é que a violência se alterna em anos de crescimento e de redução, mas persiste”.

Ele destaca que a questão agrária é um problema complexo e secular. “Enquanto não se democratizar o acesso à terra, os conflitos só tendem a crescer, principalmente com a expansão do agronegócio, notadamente para a produção dos agrocombustíveis”, afirma Siqueira, lamentando que este crescimento “tem estimulado a grilagem e pistolagem”.

Segundo o relatório, entre os casos de maior repercussão em 2009 está o assassinato, no dia 4 de fevereiro, de um dos líderes das 336 famílias do fundo de pasto Areia Grande, em casa Nova, José Campos Braga, conhecido como Zé de Antero. No quilombo de São Francisco do Paraguaçu existem 350 famílias coagidas pela especulação imobiliária, relata a CPT. Estes são dois exemplos dos 23 conflitos de terra registrados na Bahia ano passado, sendo 11 em comunidades tradicionais e 12 que tiveram como vítimas 1.605 famílias de trabalhadores de sem-terra.
 

Protesto contra violência reuniu cerca de mil pessoas no oeste

Cerca de mil pessoas participaram ontem de um protesto contra a violência no campo, em Santa Maria da Vitória, a 881 km de Salvador, segundo estimativa dos organizadores.

O evento, liderado pela CPT e pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe, contou com representantes de mais de 40 entidades e organizações da região oeste da Bahia.

De acordo com a agente da CPT Bahia, Abeltânia Santos, “o ato foi de solidariedade e desagravo pelas prisões, no mês passado, do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria e São Félix, João Sodré, e da agente da CPT Marilene Matos, que repudiamos por considerar arbitrárias”.

A prisão dos líderes foi pedida pelo juiz Eduardo Nostrani Simão, depois que os dois assinaram documento encaminhado a diversas autoridades nacionais, criticando a postura do magistrado em relação a um conflito agrário que atinge cerca de 400 famílias de comunidades de fundo de pasto.

Galeria: