Governo recebe militantes do MST

28/04/2010

Governo recebe militantes do MST

 

Foto: Divulgaçao/Diario Oficial
A Comissão Representativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reuniu, no início da tarde de ontem, na Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), para a segunda rodada de negociações com representantes do governo estadual.

Participaram do encontro, os secretários Eduardo Salles (Seagri) e Cézar Lisboa (Relações Institucionais) e o líder do MST, Márcio Matos.

Segundo Salles, hoje será realizada pelos líderes do MST audiência com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart.

"Nós, como Governo do Estado, estaremos em Brasília para participar da audiência como parceiros que pretendem ajudar a reforma agrária na Bahia. Os movimentos sociais ligados à terra são legítimos", disse o secretário. Também vai participar o superintendente regional do Incra/BA, Luiz Gugé.

A marcha de, aproximadamente, cinco mil militantes saiu de Feira de Santana, no dia 19 deste mês, e faz parte das ações do chamado Abril Vermelho, que lembra o conflito em Eldorado dos Carajás (PA), ocorrido há 14 anos, quando 19 lavradores foram mortos em confronto com a Polícia Militar.

Reivindicações – Acampados em frente à Seagri, onde ficarão até o fim das negociações, os integrantes do MST reivindicam aceleração da reforma agrária, com assentamento de 10 mil famílias em dois anos, a ampliação e construção de casas nos assentamentos, mecanização e infraestrutura produtiva, kits de irrigação, instalação de equipamentos em dois acampamentos modelo, projetos de inclusão produtiva, construção de 13 escolas em assentamentos, de 10 unidades da Saúde da Família e três mil cisternas em assentamentos no semiárido.

Conforme o secretário Eduardo Salles, a pauta é bastante extensa e diversificada, além de ser relativa a diversas secretarias estaduais e também ao governo federal.

Ele informou que na primeira rodada de negociações já foram realizadas reuniões com os secretários às quais a pauta concerne. "A questão da terra e de infraestrutura é da competência do governo federal", explicou.

Demandas – O secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa, falou que todos os anos ocorrem negociações, "o que é um fato absolutamente normal, uma vez que as demandas existentes na zona rural precisam ser atendidas."

De acordo com ele, o governo atende às reivindicações dentro das possibilidades e capacidade de investimento.

"Este ano, a pauta passa por vários setores, como educação, saúde, mas, sobretudo, na área de produção agrícola e questões relacionadas à terra. Vários itens são possíveis de serem trabalhados pelo governo estadual e nós devemos responder apresentando possibilidades e recursos necessários para execução das atividades. A outra parte da pauta diz respeito à luta geral da reforma agrária, voltada para o governo federal, no sentido que o Incra tem o papel de implantação da reforma", afirmou Lisboa, acrescentando que a Bahia possui o maior número de agricultores familiares, mais de 700 mil, grande parte ligada aos assentamentos.

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