Sinergia é resultado de diferenças estratégicas

17/05/2010

Sinergia é resultado de diferenças estratégicas

   
Similares na superfície, as estratégicas de Citrosuco e Citrovita guardam diferenças importantes que, ao emergirem, ajudam a explicar a lógica da fusão confirmada na sexta-feira.

Fundada em 1963, a Citrosuco, como a rival Cutrale, é conhecida pelas turbulência no relacionamento com seus fornecedores terceirizados de laranja e pelo esforço em economizar e/ou ganhar em todas as etapas da produção, incluindo um braço forte na logística de transporte e na distribuição dos produtos nos mercados de destino do suco.

Criada em 1989 pela Votorantim, a Citrovita aposta mais na produção própria e nas parcerias com grandes fornecedores independentes. Ao contrário da Citrosuco - e das concorrentes Cutrale e Louis Dreyfus -, não tem fábrica nos EUA e não produz o suco não concentrado (NFC), justamente a frente que preserva algum aumento de demanda no mercado internacional, já que o consumo do tradicional suco congelado e concentrado derrapa com o incremento de bebidas alternativas mais baratas, como néctares e refrescos.

Analistas têm dificuldades em afirmar se esses diferenciais são os responsáveis pelos sucessivos prejuízos da empresa, mas não têm dúvidas de que, integrados à Citrosuco, poderão conferir uma nova dinâmica à vice-líder que ficará com o cetro da Cutrale. Até porque a Citrovita tem unidades industriais novas e um corpo de executivos invejado, parte dele composto por ex-funcionários da americana Cargill, que em 2004 vendeu seus ativos na área para Cutrale e Citrosuco e saiu da atividade no país.

O parque produtivo do segmento é concentrado em São Paulo. No total, são 14 fábricas no Estado. A Cutrale tem cinco, Citrosuco conta com três (Matão, Limeira e Bebedouro), três da Citrovita (Matão, Catanduva e Araras) e as três restantes são da Dreyfus. Para alguns analistas, são muitas unidades para pouca demanda. (FL)

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