Seminário sobre biocombustíveis pede qualificação profissional

18/05/2010

Seminário sobre biocombustíveis pede qualificação profissional


A necessidade de qualificação profissional dos trabalhadores da agricultura familiar para produção de culturas oleaginosas, como mamona, girassol, pinhão-manso e amendoim, destinada à fabricação de biocombustíveis, foi detectada durante o III Seminário da Rede Baiana de Biocombustíveis (RBB), realizado no fiml de semana, em Olindina, no semiárido baiano.

Ao final do encontro foi encaminhada ao ministro do Trabalho, Emprego e Renda, Carlos Lupi, a Carta de Olindina. O documento reivindica a inserção de trabalhadores rurais, filhos de agricultores familiares e estudantes no âmbito do Plano Setorial de Qualificação – PlanSeQ Biocombustíveis, do MTE.

O plano foi apresentado durante o evento e motivou os participantes para a qualificação profissional oferecida pelo ministério. Lupi foi alertado que na Bahia e em Sergipe (Olindina faz divisa com municípios sergipanos) não existem recursos do PlanSeq para atender a região.

A Bahia conta hoje com 665 mil agricultores familiares cadastrados no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), concentrando 56% da agricultura familiar do país.

Definição de metas – Os signatários da Carta de Olindina lembram que a Petrobras Biocombustível (PBio) na Bahia e em Sergipe possui um cadastro de, aproximadamente, 35 mil agricultores familiares que pode servir de referência para direcionar as ações de plano, assim como a definição da meta a ser trabalhada.

Assinam o documento o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Feliciano Tavares Monteiro, o chefe de Orientação Profissional e Atendimento ao Trabalhador da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego na Bahia, Osvaldino Vieira de Santana, o prefeito de Olindina, Antônio João Rodrigues da Cruz, o gerente administrativo da fábrica da Petrobras Biocombustível de Candeias, Orlando Santana, e o presidente da Cooperativa de Agricultores Rurais de Olindina, Geraldo Oliveira de Santana, dentre outros.


Dona Luzia, bom exemplo e muita vontade de aprender

Aos 80 anos, a agricultora Luzia Dias de Almeida não mediu forças para sair da zona rural de Olindina, se deslocar até a sede do município e participar do seminário da RBB.

Com muita disposição e uma vontade de aprender de fazer inveja a muitos jovens, dona Luzia participou da oficina Viabilidade Econômica do Plantio de Oleaginosas, uma das seis oferecidas pelo evento, coordenada pela professora Cristina Maria Macedo de Alencar, do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social da Universidade Católica do Salvador.

E quem disse que dona Luzia foi lá apenas para aprender? Terminou ensinando. Mostrou como, em sua roça, onde planta milho e feijão, se elimina um formigueiro. "Basta colocar aquela cinza que resta de uma fogueira queimada e as formigas morrem todas", deu a dica, inclusive para técnicos que desconheciam o método consagrado pela sabedoria popular.

Focado no plantio de oleaginosas, especialmente as técnicas que promovam a produção consorciada com alimentos, o seminário reuniu agricultores rurais, pesquisadores, empresários, professores, estudantes e representantes de cooperativas agrícolas do Território Litoral Norte/Agreste para discutir os desafios e as possibilidades da política de biocombustíveis no semiárido baiano.

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