Missão da agropecuária baiana retorna da China comemorando resultados

25/05/2010

Missão da agropecuária baiana retorna da China comemorando resultados

 


Investimentos chineses na Bahia nos segmentos de energias renováveis, (biodiesel, solar, eólica e biomassa), da pesca, de carnes, dos grãos, do algodão, da agricultura familiar, e possibilidades de exportação de frutas industrializadas no Vale do São Francisco, além da instalação de um escritório permanente de negócios da agropecuária baiana em Pequim. Esses são alguns dos resultados obtidos pela missão à República Popular da China, chefiada pelo secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, e pelo superintendente de Políticas do Agronegócio, Jairo Vaz.

O grupo retornou a Salvador na madrugada desta  terça-feira,(25), trazendo na bagagem planos e compromissos de parcerias com o empresariado chinês. No dia 28 deste mês, próxima sexta-feira, a vice-governadora de Shandong, Wang Suilian, retribui a visita e participa, no Hotel Pestana, ao lado do governador Jaques Wagner e do secretário Eduardo Salles, da implantação de 12 câmaras setoriais, passo fundamental para a elaboração do planejamento estratégico para a agropecuária baiana para os próximos 20 anos.

De acordo com Eduardo Salles, existe uma identificação muito forte entre a Bahia e Shandong, estados-irmãos há dez anos. “A população de Shandong é de 93 milhões de pessoas, metade da brasileira. Cerca de 60% da população vive na área rural, em propriedades de 1 hectare por família. “Eles são muito fortes na agricultura familiar e também na área de pesca. Nós podemos estabelecer parcerias de cooperação nas áreas de tecnologia e de pesquisas, e intercâmbios no setor da agricultura familiar”, disse Salles, lembrando que a Bahia tem o maior contingente de agricultores familiares do Brasil, com 662 mil famílias.

Além desta semelhança, assim como a Bahia Shandong se caracteriza também pelo processo de verticalização da agropecuária, por ações para elevar a qualidade dos seus produtos e para promover a exportação. Shandong é responsável por 9,4% de toda exportação da China.

Cerca de 25% das exportações chinesas vem da pesca, verduras e pecuária. “Temos tudo em comum para estreitarmos as relações, pois temos as mesmas prioridades”, afirma o secretário.

Eduardo Salles anunciou que como resultados da missão, uma comitiva formada por pesquisadores, empresários do setor da pesca e por representantes do governo chinês, virá à Bahia para negociar a realização de intercâmbio e investimentos no setor de pesca oceânica, criação e beneficiamento de pescados.

Uma comitiva do setor de grãos e algodão também virá à Bahia. A maior trading de algodão, possuidora de um forte parque industrial no setor têxtil também virá, nos próximos meses, ao Estado para discutir a formatação de parcerias com os produtores do Oeste.


Para os dias 27 e 28 de junho já está agendada a visita de um grupo de empresários chineses do setor da carne. No dia 27 eles vão participar, na Seagri, de reunião com criadores e técnicos da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia, Adab. No dia 28 os investidores chineses farão uma visita ao Frigorífico de Amargosa.

Depoimentos

 “A Missão China representou um grande passo de aproximação entre a China e o Brasil. A China consome muito e tem um alto poder aquisitivo. Fomos bem recebidos pelo governo chinês, e a sinergia de negócios entre os dois países é boa. Podemos vender no Brasil os produtos deles, e eles podem levar para lá os nossos. A semente foi plantada, e estamos abrindo caminhos com a implantação de um escritório de negócios em Pequim”. Suemi Koshiama – Instituto da Fruta

 “Nessa viagem à China, conhecemos de perto o modelo de economia e pudemos ver quais eram os nichos de mercado dos chineses. Foi um passo gingantesco para a criação de novos canais de contato. Não vai ser um trabalho fácil levar os nossos produtos para lá, pois estaremos competindo com países que, por questão de logística, já fornecem os seus produtos. Queremos que eles venham para a Bahia, tragam a tecnologia deles para o Estado. Dessa forma, conseguiremos verticalizar a cadeia produtiva”. Sérgio Pitt – Vice-presidente da Associação dos Irrigantes  e Agricultores da Bahia - AIBA


 “A China já compra produtos de outros países, como os Estados Unidos e o próprio Brasil. No caso do algodão, por exemplo, vamos ter que pegar uma fatia maior. Nessa missão, abrimos caminhos, sem dúvida. O primeiro passo foi a criação de um escritório de negócios que representará toda a agropecuária baiana. Os chineses já demonstraram interesse em trazer indústrias têxteis para o Brasil. E, quem sabe, essas indústrias serão trazidas para a região Oeste do Estado. Seria uma forma de gerar mais empregos. A vinda da vice-governadora, no dia 28 de junho, abrirá caminhos para a vinda posterior de empresários”.   - Clóvis Ceolin – Associação dos Produtores de Algodão da Bahia - Apaba


O escritório de negócios em Pequim foi, sem dúvida, uma conquista e tanto. Pode-se dizer que foi uma virada de mesa do agronegócio. A Bahia se estabelece como o primeiro estado do país a conseguir um feito desse. Acredito que, a partir de agora, novos negócios vão surgir. Vamos começar a vender quatro toneladas de chocolate para a China. E é só o começo. O consumo de chocolate cresce 24% ao ano nesse país”. - Henrique Almeida – Presidente da Associação dos Produtores de Cacau - APC

 

Fonte:

Imprensa Seagri
Josalto Alves – DRT-Ba 931
Rodrigo Vilas Bôas

Tags
China
Agropecuária
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