Avestruz Master decepciona investidor (Estado de São Paulo)

01/08/2006

Avestruz Master decepciona investidor

Falência leva baianos a apostar em cooperativas

A notícia da decretação de falência das empresas do Grupo Avestruz Master desapontou os investidores baianos que ainda acreditavam poder recuperar a aplicação realizada nas cédulas de produtos rurais (CPR). Os advogados que cuidam das ações movidas pelas vítimas informaram que os credores terão de esperar muito tempo se quiserem recuperar os recursos aplicados porque o passivo, como se diz no jargão da contabilidade, é muito superior ao ativo da empresa.

Antes de tentarem recuperar os valores, outros segmentos estão em situação privilegiada na fila de credores, como os trabalhadores que entraram na Justiça com reclamações e o governo federal, com as multas provenientes de dívidas tributárias, entre outras.

O criador de avestruzes, Adilson Almeida, é um dos que já não vinha acreditando em uma solução positiva. "Quando eu soube como estava a situação, já sabia que não ia dar em nada e resolvi tocar meu negócio e esquecer", disse.

Imbuído do melhor espírito esportivo, Almeida considerou o episódio uma boa lição para "não se acreditar em papéis, e sim na produção, que é o que vale". Ele já tem seu próprio rebanho, ao importar 1,3 mil avestruzes da Espanha para criar na Bahia.

Para ele, o negócio de avestruzes passará a focar na criação e comercialização da carne, em vez da especulação por parte das CPR, que terminou não dando certo para os investidores ávidos por um retorno de alto rendimento em curto prazo.

O criador Josemar Carneiro também acredita que a questão da Avestruz Master é página virada. Ele aposta na organização da Cooperativa de Produtores de Avestruzes da Bahia (Coopstruthio), sediada em Feira de Santana, a 108 quilômetros de Salvador.

O presidente da Coopstruthio, Lúcio Bahia, lamentou os "grandes prejuízos causados pela Avestruz Master no Estado". Uma das peças de uma campanha promocional a ser lançada pelos criadores baianos tem a ver com o trauma da falência do grupo.

Intitulada "Papel não bota ovo", a campanha reforça a importância da produção, em vez do investimento nas CPR, como ocorria com a Avestruz Master. Para Bahia, os criadores estão otimistas com o rumo da atividade no Estado, apesar do problema.

Os tumultos causados pelo fechamento e falência do grupo Avestruz Master repercutiram de forma consciente aos prejudicados, na avaliação de Bahia. "Todos sabiam dos riscos que corriam, pois 11% de rendimento ao mês é uma piada, infelizmente de mau gosto".

O presidente da maior cooperativa baiana informou que a estrutiocultura (como se chama a criação de avestruzes) começou em 1991, com a importação de três casais de reprodutores. "Hoje, nosso plantel é de 60 mil aves". A Bahia é o segundo maior produtor do Brasil, perdendo apenas para São Paulo. Os 350 criadores, dos quais 40 integram a Coopstruthio, geram cerca de 2 mil empregos diretos.

Paulo Prado