Governo incentiva produção de algodão no sudoeste baiano

21/07/2010

Governo incentiva produção de algodão no sudoeste baiano

 

Por meio da colheita mecânica e do preparo do solo, garantidos pelo protocolo de cooperação técnica e financeira entre a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária da Bahia (Seagri) e instituições parceiras, produtores familiares de algodão do Sudoeste baiano esperam um incremento na área plantada de até 15%, a expansão da cotonicultura e melhores condições para a produção, beneficiamento e comercialização do produto.

O assunto foi debatido durante o Dia de Campo realizado no dia 16 de julho de 2010 no distrito de Canabrava, município de Malhada, a cerca de 850 quilômetros de Salvador. O evento teve a participação de pequenos cotonicultores de diversos municípios da região, autoridades e técnicos do setor, e sinalizou para um aumento da produção além das expectativas, tanto com relação à área plantada, como em volume de produtividade.

"A partir do incentivo, ampliaremos nossa área cultivada de 700 para 3 mil hectares e aumentaremos a nossa produtividade média, que é de 170 arrobas por hectare. Outra conquista é o repasse do caroço para a Petrobras, por intermédio da EBDA, que servirá de matéria-prima para a produção de biodiesel", disse o presidente da Associação dos Produtores de Leite e Algodão de Malhada (Aaproleite), Aurelizo Costa de Jesus.

Segundo o secretário da Agricultura, Eduardo Salles, apesar de a Bahia ser o segundo maior produtor nacional de algodão, o estado não tem uma grande indústria de beneficiamento. Verticalizar a produção, para agregar valor, é uma das metas da Seagri, que em parceria com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Fundeagro e Fundação Bahia e Fundação Getulio Vargas (FGV), está desenvolvendo um estudo para viabilizar a implantação de indústrias no Oeste e no Sudoeste do estado, para agregar valores às cadeias da soja, do milho e do algodão.

Na ocasião, Salles divulgou os avanços significativos na região e em toda a agropecuária baiana. "É com muito orgulho que anuncio o índice de vacinação recorde na região, que chegou a 97,7%, e o esforço dos estados da Bahia, Piauí e do Ministério da Agricultura (Mapa) em extinguir a Zona Tampão". A Bahia vacinou 99,1% do seu rebanho. "Queremos reduzir também a idade de vacinação para até 24 meses", declarou.

O secretário citou ainda a contratação de 417 novos técnicos para atuar nos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural na região, falou do trabalho de emissão eletrônica de Daps e da conquista referente à anistia e amortização de dívidas agrícolas, dentre outras ações.

CULTIVO SOCIAL E AMBIENTALMENTE CORRETO

Os produtores estão motivados e, por isso, compareceram em massa ao terceiro Dia de Campo - Algodão Sustentável. Superando as expectativas da organização, que era de atrair mil pessoas, mais de 3 mil cotonicultores, pesquisadores e estudantes participaram das atividades e visitaram as estações.

O evento contou ainda com a participação do presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Emerson Leal, do diretor de Defesa Sanitária Vegetal da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Armando Sá, dos presidentes do Fundeagro, Ezelino Carvalho, e da Fundação Bahia, João Carlos Jacobsen, além de autoridades e lideranças municipais.

Durante o Dia de Campo foram distribuídas cartilhas informativas sobre o controle legislativo, os períodos de fiscalização que acontecem durante o plantio e condução da lavoura do algodão, a exemplo do prazo legal para destruição dos restos culturais, denominados de soqueira, até 31 de agosto, e para a eliminação de tigueras, entre outras orientações sobre a cultura do algodão.

RETOMADA DO CRESCIMENTO

O auge da cotonicultura no Sudoeste do estado, na década de 80, com mais de 250 mil hectares cultivados e 220 mil empregos gerados, foi lembrado por todos, bem como o declínio oriundo do surgimento de novas pragas e adversidades climáticas.

"O passado servirá como balizamento para analisarmos a evolução no presente. O governo vem fazendo o esforço, uma tentativa de retomada, mas víamos os produtores vendendo os insumos. Queremos vê-los organizados e capacitados, para que possam assumir e assimilar as tecnologias e, assim, aumentar a renda", declarou Emersaon Leal, presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola.

Leal falou ainda do trabalho de reestruturação da empresa, que conta agora com 700 novos veículos e 900 técnicos, sendo 400 recém-contratados. "A grande luta nossa é fazer chegar a vocês as políticas públicas. Queremos verticalizar a produção para dar melhor condição de valorização da cultura", completou.

PRODUÇÃO DE QUALIDADE

Sobre a viabilidade da cotonicultura para a agricultura familiar, o presidente da Fundação Bahia, João Carlos Jackbsen afirma que "a pequena propriedade é viável para a cultura do algodão sim e, se implantada de forma social e ambientalmente correta, passa a ser sustentável economicamente". Para ele, o principal fundamento comum aos pequenos e grandes produtores é acreditar no potencial em suas diferentes etapas, no preparo, colheita, comercialização.

"O cotonicultor precisa saber que é capaz e que o sucesso está no trabalho. Temos que garantir uma produção de qualidade, fazer com que o algodão do pequeno tenha a mesma qualidade que o do grande. É assim no mundo todo", declarou Jackobsen, referindo-se à estatística de que 80% do algodão do mundo é produzido por pequenos produtores.

O Dia de Campo é parte das ações do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cotonicultura do Sudoeste da Bahia, que disponibiliza, através do protocolo técnico e financeiro, um recurso aproximado de R$ 640 mil para as ações de incentivo à região. Para o presidente do Fundeagro, Ezelino Carvalho, o recurso viabiliza a colheita, mas o crescimento e a sustentabilidade dependem muito mais dos agricultores e do acesso ao crédito.


Fonte:
Agência de Comunicação da Bahia

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