Conflito suspende embarque de gado do país para o Líbano

02/08/2006

Conflito suspende embarque de gado do país para o Líbano

Navios são desviados para a Síria, o que eleva custos; no 1º semestre, exportações deram receita de US$ 36,3 mi





Os ataques ao Líbano e o embargo ao porto de Beirute já comprometem as exportações do Brasil para o país. Os próximos embarques de gado vivo, principal item da pauta de exportação do Brasil para o Líbano, estão suspensos.
No primeiro semestre deste ano, quase 127 mil cabeças de gado foram embarcadas de navio com destino ao Líbano, com uma receita de US$ 36,3 milhões (aproximadamente R$ 79,86 milhões).
"Por enquanto, não temos previsão para novos embarques. O conflito já está prejudicando o mercado", disse Mohamad Ibrahim, diretor-executivo da Brazilian Livestock, empresa de exportação de gado vivo com sede em Pelotas (RS).
O exportador Guilhermo Doiny, de Belém (PA), disse que já suspendeu três embarques, com 5.500 cabeças de gado, desde que o conflito começou.
"O Líbano está bloqueado. Não entra nem sai nada de lá."
Doiny disse que está mantendo os três navios atracados no porto de Belém, pois espera que seja firmado nos próximos dias um acordo internacional que permita o desembarque de alimentos no Líbano, especialmente animais vivos.
O problema para a comercialização, segundo os exportadores, está no desembarque dos animais. Os navios que chegaram ao Oriente Médio depois de início do conflito foram desviados para a Síria.

De caminhão
Após desembarcados, os animais seguiram para o Líbano em caminhões, o que aumentou o custo. Os exportadores disseram que não têm como quantificar o prejuízo agora.
A venda de animais vivos para o Líbano, que se intensificou a partir do segundo semestre de 2005, abriu uma alternativa de negócio importante para os produtores brasileiros. Segundo representantes do setor, a entrada dos libaneses no mercado valorizou o preço do gado e reduziu prazos de pagamento.
Por enquanto, os produtores estão na expectativa de que a suspensão das vendas para o Líbano seja temporária.
"Gostaria de ver a carne saindo do Brasil já embalada, mas a exportação de animais vivos é uma alternativa boa para o produtor e uma oportunidade interessante de negócio", disse Paulo Ricardo Dias, presidente da Associação e Sindicato Rural de Bagé (RS).
Para o produtor e coordenador de agronegócios da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Hermes Ribeiro, a entrada dos libaneses no mercado provocou um aumento de cerca de 10% o valor pago por quilo de animal vivo.
Para os produtores do Pará, a venda para o Líbano era importante canal de escoamento da produção de gado, já que o Estado sofre com embargos sanitários para a exportação de carne para outros mercados. O Pará luta para obter o certificado de zona livre de febre aftosa com vacinação.

SÍLVIA FREIRE